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Sabesp prevê 2 centrais hidrelétricas

por Fonte: CORREIO POPULAR (SP) publicado 29/07/2010 00h00, última modificação 15/03/2019 09h20
A Companhia de saneamento básico de São Paulo (Sabesp) quer construir duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no Sistema Cantareira em três anos. Juntas, elas vão gerar cerca de sete megawatts (MW) de energia, o suficiente para alimentar uma cidade com 100 mil habitantes.
Companhia aguarda licença para construção polêmica de PCHs em rios do Sistema Cantareira

Camila Ancona
A Companhia de saneamento básico de São Paulo (Sabesp) quer construir duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no Sistema Cantareira em três anos. Juntas, elas vão gerar cerca de sete megawatts (MW) de energia, o suficiente para alimentar uma cidade com 100 mil habitantes.

Uma das usinas seria instalada na Estação de Tratamento de Água (ETA) Guaraú, na Serra da Cantareira, a maior unidade de tratamento do órgão. A outra usina, denominada Cascata, pode ser instalada em Mairiporã, entre a represa de Atibainha e a Barragem Engenheiro de Paiva Castro.

A Agência Nacional De Energia Elétrica (ANEEL) já autorizou, mas a Sabesp aguarda liberação de licenças ambientais. A Agência Nacional De Águas (ANA) afirma que a intenção foge da outorga de 2004 do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) para a companhia.
 
Lançada no fim do ano passado, a licitação para construção das usinas foi vencida pelas empresas Tecniplan Engenharia e Comércio e a Servtec Investimentos e Participações, que ofereceram à Sabesp 23% (R$ 1,2 milhão por ano) da receita bruta da venda total da energia produzida,
 estimada em R$ 5,2 milhões por ano. A Paulista Energia Ltda — sociedade formada entre a Tecniplan e Servtec — realizará todos os investimentos e arcará com os custos de operação e manutenção. A empresa deve entregar as unidades prontas em 2013.

A queda d’água da ETA Guaraú, de 14 metros, tem capacidade para gerar 4,1 MW. Já a queda d’água do trecho do rio Juqueri tem 10 metros e potencial instalado para produzir 2,9 MW. “A gente não vai mexer no leito. Vamos aproveitar o próprio lago que já existe e esta queda d’água para a geração de energia”, afirmou João Willian Dias, engenheiro civil da Tecniplan Engenharia. Segundo ele, as obras aguardam obtenção de licença de instalação que está tramitando na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e no DAEE, entre outras providências legais.

“A nossa perspectiva é de que a construção esteja iniciando no primeiro trimestre de 2011, com entrega para o final de 2012”, disse Dias. Já Marco Seindenberg, superintendente de novos negócios da Sabesp, afirma que a previsão para início das obras é setembro de 2011 e que as operações das PCHs comecem em janeiro de 2013. Ele informa ainda que não haverá represamento, mas que serão utilizadas as mesmas estruturas do Sistema Cantareira. A Sabesp ainda estuda a implantação de outras três PCHs nas represas de Jaguari, Cachoeira e na própria Atibainha. A construção das usinas é um dos projetos que integram o Programa de Eficiência
Energética da Sabesp, que visa a reduzir o consumo e gastos com energia. As usinas devem empregar apenas cinco pessoas para operá-las.
Prazos
A concessão de operação das empresas vai até outubro de 2030. Segundo Seindenberg, a comercialização dessa energia produzida será vendida em leilão, no mercado livre, suficiente para o consumo de 23 mil moradias de população de baixa renda. Distribuidoras de energia poderão ter acesso a essa energia, desde que as fontes de energia renováveis estejam na área de concessão delas, conforme o superintendente da Sabesp.

Dias também acredita que o potencial gerado deve ser consumido na região. “Mas isso ainda não está definido porque existe o livre comércio para negociação.” Com mais
experiência em térmicas, as empresas vencedoras devem estrear como operadoras de PCHs.

O superintendente de novos negócios da Sabesp, Nilton Seuaciuc, afirmou que as empresas licitadas estão em processo de obtenção de licença para início das obras. Quanto aos estudos das outros três PCHs, ele disse que estão em processo de viabilidade econômica. “Precisamos ainda conseguir a autorização da ANEEL, para estes casos, além de consultar a participação do Comitê das Bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ)”, destacou. Estas são as duas primeiras usinas da Sabesp instaladas no Estado de São Paulo. “O objetivo é recuperar parte dos altos custos energéticos que a Sabesp tem com o Sistema Cantareira.”

O NÚMERO
42 PCHs
É o total de pequenas centrais hidrelétricas em operação no Estado de São Paulo, segundo a  ANEEL. Outras sete já estão em construção

SAIBA MAIS

PCH - é toda usina hidrelétrica de pequeno porte cuja capacidade instalada seja superior a 1 MW e inferior a 30 MW. Além disso, a área do reservatório deve ser inferior a 3 km². Ela é instalada em rios de pequeno e médio portes que possuam desníveis significativos durante seu percurso,
gerando potência hidráulica suficiente para movimentar as turbinas. Elas têm também isenção de tributos municipais e estaduais.
Texto:Fonte: CORREIO POPULAR (SP)