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Roubo de água da Amazônia será debatido na Câmara

por Fonte: Agência Amazônia publicado 21/06/2010 00h00, última modificação 14/03/2019 16h42
A Câmara vai, finalmente, discutir as denúncias de tráfico de água doce dos rios da Amazônia. O debate acontecerá nesta terça-feira, 22, na Comissão da Amazônia por sugestão dos deputados Lupércio Ramos (PMDB-AM) e Francisco Praciano (PT-AM). Confirmaram presença o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Agência Nacional de Águas (ANA).
Denúncias de hidropirataria na região levam autoridades federais à Comissão da Amazônia. Diretor da PF será um dos ouvidos pelos deputados. Audiência será nesta terça, às 14h
 
Seg, 21 de Junho de 2010 19:39
 
BRASÍLIA – A Câmara vai, finalmente, discutir as denúncias de tráfico de água doce dos rios da Amazônia.  O debate acontecerá nesta terça-feira, 22, na Comissão da Amazônia por sugestão dos deputados Lupércio Ramos (PMDB-AM) e Francisco Praciano (PT-AM). Confirmaram presença o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Agência Nacional de Águas (ANA). O ministro da Defesa, Nelson Jobim também foi convidado.
 
A Comissão da Amazônia agiu após a Agência Amazônia revelar que navios-tanques de várias nacionalidades estariam roubando águas de rios brasileiros.  O deputado Lupércio Ramos disse que é urgente esclarecer as denúncias, já que até hoje nenhuma autoridade do Governo Federal desmentiu as notícias veiculadas em sites e revistas especializadas.
 
A principal vantagem do tráfico de água doce seria de ordem econômica, já que o tratamento do metro cúbico ficaria em cerca de R$ 1,40 enquanto que a dessalinização das águas oceânicas supera R$ 2,60. Além disso, em muitos países são cobradas altas taxas pela utilização de águas de superfície, de aqüíferos e de rios, notadamente na Europa.
 
O roubo de água dos rios da Amazônia foi denunciado na edição 310 da revista jurídica Conselux e repercutida por esta agência. Num texto sobre a Organização Mundial de Água e o mercado internacional de água, a revista afirma: “Navios-tanques estão retirando sorrateiramente água do Rio Amazonas”. A publicação relata ainda que o comércio estaria tão avançado ao ponto de empresas internacionais, entre as quais a norueguesa Nordic Water Supply Co., terem desenvolvidos modernas tecnologias para a captação da água. A Nordic teria inclusive até firmado contratos de exportação de água a partir do emprego dessas técnicas para a Grécia, Oriente Médio, Madeira e Caribe.
 
Segundo a denúncia da revista, a captação geralmente é feito no ponto que o Rio Amazonas deságua no Oceano Atlântico. Os indícios são de que cada embarcação seja abastecida com 250 milhões de litros de água doce que, depois, seria engarrafada na Europa e no Oriente Médio.  A Consulex explica que a procura pela água farta do Brasil ocorre por um motivo simples: o baixo custo de beneficiamento.  Para tratar a água retirada dos rios da Amazônia os hidropiratas gastam US$ 0,80 em média para tirar a turbidez da água. A dessalinização das águas oceânicas sai por US$ 1,50 o metro cúbico.
 
Há três anos, a Agência Amazônia denunciou a existência da prática, mas, até onde se sabe, nada de concreto foi feito para coibir a prática. Essa também é a mesma constatação da revista Consulex. E alerta: “essa prática ilegal não pode ser negligenciada pelas autoridades brasileiras”. De acordo com o artigo 20, inciso III, da Constituição Federal, os rios, os lagos e quaisquer correntes de água em território nacional são bens da União e por esta devem ser protegidos.
 
Procurados pela Abin
 
Dias após o caso vir à tona, a Agência Amazônia foi procurada por um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que trabalha na região. Queria saber mais detalhes. Garantiu o funcionário da agência que o órgão e o governo brasileiro estavam cuidando do caso, dada a repercussão causada pela reportagem. Na época, o agente da Abin afirmou não haver “nenhuma novidade” a respeito do assunto.Apenas assegurou que o órgão estava fazendo levantamentos em alguns pontos da Amazônia.
 
O mesmo agente também pediu informações da Agencia Amazônia sobre outra denúncia feita: o tráfico de mosquitos da malária para laboratórios dos Estados Unidos. Os mosquitos são capturados por cobaias humanas (é o caso do caso do Acre) e, posteriormente, enviados para o exterior. Um funcionário da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), investigado pela PF, seria o responsável pelo envio dos espécimes para os laboratórios norte-americanos.
 
Texto:Fonte: Agência Amazônia