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Rios da Amazônia têm níveis próximos a vazantes recordes

por ASCOM/ANA publicado 09/09/2010 00h00, última modificação 15/03/2019 09h20
A região Amazônica enfrenta uma das maiores secas dos últimos anos. Por causa da falta de chuva, os rios Javari, Juruá, Japurá, Acre, Negro, Purus, Iça, Jutaí, Solimões e Madeira estão com níveis abaixo da média. A seca já atinge o transporte e o abastecimento de populações locais.

A região Amazônica enfrenta uma das maiores secas dos últimos anos. Por causa da falta de chuva, os rios Javari, Juruá, Japurá, Acre, Negro, Purus, Iça, Jutaí, Solimões e Madeira estão com níveis abaixo da média.

 

Dados da estação telemétrica de Tabatinga,  por exemplo, indicam queda acentuada no nível do rio Solimões nesta cidade, o que dificulta a navegação até Tefé, fazendo com que, por razões de segurança, a navegação seja limitada ao período diurno.

 

No Porto de Manaus, o nível do Rio Negro estava em 20,67m no dia 08/09, mas vem baixando dia a dia. A menor cota já registrada no Porto foi de 13,64 m, em 1963.    

 

Os efeitos da seca já são sentidos pela população local, uma vez que os rios da região têm papel fundamental principalmente para o transporte, abastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis. Essa população está tendo que percorrer grandes distâncias para obter água de boa qualidade, já que, em muitos casos, a qualidade da água disponível está comprometida devido à mortandade de peixes. No início de setembro, a Defesa Civil do Amazonas emitiu alertas para 26 municípios do Estado.

 

No rio Abunã, em Porto Velho (RO), desde maio a cota medida também vem acompanhando os níveis da estiagem de 2005, embora uma pequena ascensão tenha sido observada a partir de 3 de setembro. Por causa da seca, a Capitania dos Portos da região proibiu o transporte por barcos de alimentos e passageiros no período noturno e ameaça suspender por tempo indeterminado o transporte de veículos pesados pelas balsas, o que pode prejudicar o abastecimento de alimentos e outras mercadorias essenciais, como combustíveis, nos estados de Rondônia e, principalmente, do Acre.

 

Rede Hidromeorológica

 

A ANA opera uma rede de postos hidrometeorológicos em todo o Brasil nos quais são medidos, dentre outras grandezas, chuvas, níveis dos rios, qualidade da água e sedimentos transportados. Parte desta rede é constituída por estações convencionais, nas quais a leitura é feita por um observador, e parte, por estações telemétricas que possuem sensores automáticos e transmissão de dados via satélite e celular. A rede de monitoramento permite o acompanhamento da evolução dos níveis de água dos principais rios da região Amazônica e outras regiões do País.

 

A ANA disponibiliza os dados da rede hidrometeorológica na web, no endereço /, no menu Serviços, Informações Hidrológicas. Também, a CPRM, o SIPAM e a ANA produzem conjuntamente Boletins Semanais, analisando a situação das estações situadas nos principais rios monitorados. Os boletins estão disponíveis no site da ANA, Sala de Situação: /www2/Paginas/anexos.aspx.

 

 

Situação dos principais rios:

 

Bacia do Rio Juruá

Em Eirunepé, o nível d’água atual está 1,37m acima da máxima vazante registrada em 10/09/1995. Em Gavião, o nível d’água atual está 2,14m acima do valor registrado em 2005, ano da maior vazante.

 

Bacia do Rio Purus

Os níveis d’água continuam muito baixos nas duas estações monitoradas. Em Rio Branco (AC), o nível do Rio Acre está apenas 23 cm acima da maior vazante registrada na série histórica, que ocorreu em 14/09/2005. Em Boca do Acre, no Rio Purus, o nível d’água está apenas 55 cm acima da vazante máxima, registrada em 07/10/1998.

 

Bacia do Rio Japurá

O nível d’água atual está 2,19 m abaixo do nível registrado na mesma data em 2009.

 

Bacia do Rio Negro

Níveis normais para o período.

 

Bacia do Rio Solimões/Amazonas

Os níveis d’água continuam com valores abaixo dos registrados nos anos das vazantes máximas em todas as estações monitoradas, exceto Tabatinga, onde o nível atual está 74 cm acima da máxima vazante histórica, que ocorreu em 29/09/2005.

 

Bacia do Rio Madeira

Em Humaitá, o nível d’água atual está 72 cm acima do valor registrado na mesma data do ano da vazante máxima (1969). Em Porto Velho, o nível d’água atual está 98 cm acima do valor registrado na mesma data do ano da vazante máxima (2005).

 

Bacia do Rio Javari

O nível d’água atual está 4,57 m mais baixo que o nível registrado na mesma data do ano 2009.

 

 

Foto:Cláudia Dianni/Banco de Imagens ANA