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Referência na medição de grandes rios

por Ascom/ANA publicado 23/08/2010 00h00, última modificação 15/03/2019 09h20
É cedo no porto de Manacapuru (AM), mas os barcos já se movimentam pelo rio Solimões, um dos principais afluentes do rio Amazonas. Pelas ruas próximas, chegam os especialistas brasileiros e estrangeiros que participam do 9º Curso Internacional de Medição de Descarga Líquida em Grandes Rios.
Brasil capacita técnicos nacionais e estrangeiros
É cedo no porto de Manacapuru (AM), mas os barcos já se movimentam pelo rio Solimões, um dos principais afluentes do rio Amazonas, indo para a pesca ou mesmo transportando os ribeirinhos da região. Pelas ruas próximas, caminhando, chegam os especialistas brasileiros e estrangeiros da área de recursos hídricos que participam do 9º Curso Internacional de Medição de Descarga Líquida em Grandes Rios, promovido pela Agência Nacional de Águas (ANA), Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica, na sigla em inglês).
 

Raylton Alves/Banco de Imagens ANA

O Curso Internacional tem como objetivo capacitar profissionais da área de recursos hídricos do Brasil e dos demais países sulamericanos – principalmente da bacia Amazônica – nas técnicas e metodologias utilizadas nos trabalhos de medição e de cálculo da descarga líquida em grandes rios para difundi-las e padronizá-las. As aulas ocorreram entre 6 e 16 de agosto.
 
Dentro do barco-escola Castelo Guedes IV, ancorado atrás de palafitas, o barqueiro Moisés Ferreira, com experiência de 34 anos navegando pelo rios amazônicos, aguarda os técnicos para mais uma seção de medição do rio Solimões. Segundo ele, os rios são as estradas da Amazônia e água é o que não falta na região. Ferreira também demonstra orgulho da grandiosidade das riquezas naturais amazônicas. “Nós temos a maior bacia hidrográfica do mundo aqui no Amazonas. Para nós isso aqui é uma herança muito grande. Aqui é o pulmão do mundo.”
 
Depois do café da manhã dentro do próprio barco, a cerca de sete quilômetros dali, todos os instrutores e os 38 alunos, sendo 12 estrangeiros (da Colômbia, do Equador, do Paraguai e do Peru), estavam a postos para mais um dia de medições da vazão (o volume de água que passa por um trecho do rio durante um determinado período), da largura e da profundidade do rio Solimões. No total, a capacitação mobilizou mais de 80 pessoas.
 
Raylton Alves/Banco de Imagens ANA
 
 
 
Raylton Alves/Banco de Imagens ANA
 
Diante de uma ribanceira com paineiras repletas de frutos vermelhos, e com o calor e a umidade peculiares à região, o barco-escola pára e a atividade de medição de grandes rios com a técnica do barco ancorado começa após uma aula teórica. Nela estava a equatoriana Elisa Armijos. Segundo a profissional da área de recursos hídricos, a capacitação é relevante para divulgar e fazer um intercâmbio de conhecimentos e impressões que se têm em cada país sulamericano sobre a questão da água. “Este curso é importante porque nós aprendemos novas técnicas, as dificuldades e como fizeram para superá-las. Então, isso nos ajuda a fazer a mesma coisa em nosso país”, afirma Armijos.
 
Diante de uma ribanceira com paineiras repletas de frutos vermelhos, e com o calor e a umidade peculiares à região, o barco-escola pára e a atividade de medição de grandes rios com a técnica do barco ancorado começa após uma aula teórica. Nela estava a equatoriana Elisa Armijos. Segundo a profissional da área de recursos hídricos, a capacitação é relevante para divulgar e fazer um intercâmbio de conhecimentos e impressões que se têm em cada país sulamericano sobre a questão da água. “Este curso é importante porque nós aprendemos novas técnicas, as dificuldades e como fizeram para superá-las. Então, isso nos ajuda a fazer a mesma coisa em nosso país”, afirma Armijos.
 
Como não poderia deixar de ser, depois da teoria vem a prática e vários grupos partem numa voadeira – tipo de barco pequeno e rápido da Amazônia – rumo a outro barco-escola que realizava a medição no meio do Solimões. Nesta outra embarcação, o técnico da CPRM de Manaus, João Bosco Alfenas, mais conhecido como
Raylton Alves/Banco de Imagens ANA
 
Raylton Alves/Banco de Imagens ANA
“Bosco”, acompanha a medição, mas com cautela, pois tinha se submetido a uma cirurgia cardíaca semanas antes da atividade.
 
A grandiosidade dos rios amazônicos e a medição
 
Segundo dados que sabe de cabeça, naquela seção de medição passavam cerca de 100 milhões de litros de água por segundo, o que equivale a aproximadamente a 40 rios São Francisco, considerando-se a vazão média do Velho Chico. Naquele trecho o Solimões tem aproximadamente 3 quilômetros de largura e uma profundidade máxima em torno de 40 metros, o que equivale a um prédio de 13 andares.
 
O mineiro, com a experiência de 37 anos de medições em toda a Amazônia, não faz questão de esconder a sua motivação de trabalhar devido à grandiosidade dos rios da região. “Sabemos que estamos trabalhando no maior rio do mundo tanto em volume como em extensão. Não existe outro rio que consegue pelo menos empatar conosco em vazão. Portanto, isso é um desafio para a gente”, destaca. Apesar da experiência de mais de três décadas na medição de grandes rios amazônicos, Bosco acredita que este aprendizado é constante. “A gente nasce, vive aprendendo e morre sabendo muito pouca coisa”, conclui.
 
Também veterano em medições na Amazônia, o superintendente de Gestão da Rede Hidrometeorológica da ANA e instrutor da capacitação, Valdemar Guimarães, explica que o volume descomunal de água da região motiva o interesse estrangeiro em capacitar técnicos no Curso Internacional de Medição de Descarga Líquida em Grandes Rios. “O rio Amazonas é o maior do mundo e há um grande interesse de todos os técnicos em medir o maior rio do mundo”, explica. Não por acaso, técnicos colombianos até mesmo batizaram o rio Solimões de “mar”.
 
Rede monitora os rios do Brasil
 
Para o superintendente, o monitoramento das águas brasileiras é fundamental para o desenvolvimento do País. “O Brasil tem água suficiente, mas evidentemente nós temos que ter programas para sabermos quantificar este volume e, ao mesmo tempo, programas de qualidade de água”. De acordo com Guimarães, o Brasil utiliza os equipamentos mais modernos do mundo e monitora – por meio das mais de 4.500 estações da Rede Hidrometeorológica Nacional – suas águas do Oiapoque ao Chuí, sendo que todas as fronteiras possuem estações as quais fornecem diariamente o balanço hídrico, que quantifica o volume de água que entra no país e aquele que é despejado no Oceano Atlântico.
 
De acordo com o gerente de Planejamento da Rede Hidrometeorológica da ANA, Fabrício Vieira, esta rede consegue definir a quantidade e a qualidade da água em diversos pontos do Brasil, podendo, assim, subsidiar o processo decisório para que os gestores definam onde e de que forma a água deve ser utilizada. “A ideia principal desse desenho de uma rede é ter a informação onde se tem a necessidade de implementar uma obra hídrica ou instrumento de gestão, como a outorga e planos de recursos hídricos”, explica. Além disso, Vieira ressalta a importância dos dados obtidos para o acompanhamento de eventos críticos, como ocorreu em 2009, durante a maior cheia já registrada no rio Amazonas desde 1903, quando começou este monitoramento.
 
Texto:Ascom/ANA
Foto:Raylton Alves/Banco de Imagens ANA