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Qualidade para a água do DF

por Fonte: Tribuna do Brasil publicado 19/07/2010 00h00, última modificação 15/03/2019 09h19
O Lago do Descoberto é responsável por 65% do abastecimento de água do Distrito Federal. Para continuar garantindo a qualidade do recurso para a população, órgãos responsáveis pela gestão das águas do Sistema Integrado do Rio Descoberto resolveram constituir um grupo de trabalho e desenvolver o projeto Descoberto Coberto.
Responsáveis pela gestão do recurso se unem para reservar Lago do Descoberto

Francisco Gomes
O Lago do Descoberto é responsável por 65% do abastecimento de água do Distrito Federal. Para continuar garantindo a qualidade do recurso para a população, órgãos responsáveis pela gestão das águas do Sistema Integrado do Rio Descoberto resolveram constituir um grupo de trabalho e desenvolver o projeto Descoberto Coberto. A iniciativa visa à adequação ambiental da reserva biológica e das propriedades rurais às margens do Lago com a recuperação e proteção da vegetação nativa da Área de Proteção Ambiental (APA), por meio do plantio de árvores.

Entre os órgãos que aderiram ao projeto, estão o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), a Agência Reguladora de Águas e Saneamento (Adasa), a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), a Empresa de Assistência Técnica e Expansão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), a Secretaria de Agricultura (Seapa), a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a Agência Nacional De Águas (ANA), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Nacional deColonização e Reforma Agrária (Incra); além da participação da comunidade local e da Associação dos Produtores e Protetores da Bacia do Descoberto (Pró-Descoberto).

Iniciado em 2009, o projeto tem recursos originados de multas e compensações ambientais e florestais pagas por empreendedores e, ainda, dos produtores rurais da região, que se comprometeram a comprar mudas eplantá-las nas propriedades. As atividades no ano passado tiveram início naárea mais próxima do Lago do Descoberto devido à contribuição direta para o reservatório do Lago. No primeiro ano, foram plantadas 17 mil mudas e, para 2010, a previsão é que 160 mil mudas de espécies nativas do cerrado sejam plantadas.

O Ibram coordena o diagnóstico ambiental, que está em fase de conclusão. Técnicos do Instituto, juntamente com servidores dos demais órgãos envolvidos, realizam colheitas
de dados e visitas às propriedades rurais. São observadoscaracterísticas da vegetação, existência de outorgas para uso das águas subterrâneas na região, uso e ocupação do solo, fontes de renda familiar e o interesse dos proprietários em receber mudas. Os dados estão sendo consolidados para o diagnóstico que deve ser concluído até o final deste mês. Após a coleta das informações, será elaborado um relatório que possibilitará localizar as áreas prioritárias.

De acordo com o superintendente de Recurso Hídricos da Adasa, Diógenes Mortari, inicialmente, o projeto prevê a proteção das margens do Lago Descoberto na parte voltada para o DF, mas, no futuro, as ações serão voltadas para a Bacia. “O nosso objetivo não é proteger só o Lago. A nossa
política de preservação dos recursos hídricos abrange, inclusive, a Bacia Hidrográfica do Ribeirão Pipiripau. Tais ações do presente são importantes para a proteção dessas áreas que garantem a sobrevivência do Lago, inclusive em períodos de seca”, garante Mortari.

O superintendente explica que as árvores que serão plantadas ao longo dos 125m do Lago Descoberto, como a buriti, por exemplo, servirão para evitar a erosão, causada ao longo do tempo pela própria natureza, e garantir a qualidade e quantidade de água necessária para abastecer o
DF. Segundo ele, a Caesb já doou oito mil mudas e a Terracap vai doar 100 mil e eles estão acertando com o Ibram quantas árvores cada órgão vai oferecer. “Algumas delas funcionam com uma espécie de esponja. Elas retêm a água na época das chuvas e soltam na época da seca. A
erosão e o assoreamento contribuem para a entrada de terra no Lago contribuindo para a diminuição do volume de água. Por isso, o projeto vai servir para regularizar e disciplinar o Lago”, elucida Mortari.

Já o engenheiro florestal e especialista rural da Emater-DF, Juliano de Oliveira e Silva, destaca que a conscientização dos moradores que vivem na orla do Lago é fundamental para o sucesso do Descoberto Coberto. “Entendemos que a participação deles nessa iniciativa é imprescindível para
protegermos o Lago. A Emater já tem um histórico de trabalho com o homem do campo. Eles reconhecem a credibilidade da empresa pelos serviços prestados ao produtor rural, como o de assistência técnica, por exemplo. Diante da confiança que eles depositam na empresa é que nós queremos convencê-los da importância deles na idéia. Nós vamos dar todo o suporte e orientação para eles no que diz respeito ao plantio o plantio das mudas”, assegurou o engenheiro.

O Descoberto Coberto está dividido em quatro etapas: diagnóstico ambiental e socioambiental; mobilização social e educação ambiental; revegetação da Rebio do Lago do Descoberto e implantação dos sistemas agroflorestais (SAFs) nas reservas legais das propriedades. A iniciativa prevê ainda a averbação das reservas legais, manejo da Bacia do Lago do Descoberto e outras ações protecionistas, como, por exemplo, a recuperação de nascentes, canais de ligação, mata ciliar, de estradas de acesso, combate a erosão e assoreamento e atividades ambientais.

As águas do Lago vão para várias regiões administrativas
 
Depois de tratadas, as águas do Lago do Descoberto são distribuídas para as regiões administrativas da Ceilândia, Taguatinga, Gama, Guará, Samambaia, Riacho Fundo, Recanto das Emas, Águas Claras, Santa Maria, Núcleo Bandeirante, Candangolândia e parte do Plano Piloto. O Lago faz parte APA do Descoberto, criada pelo Decreto nº 88.940/83, e abrange as regiões administrativas de Taguatinga, Brazlândia, Ceilândia e o município de Águas Lindas (GO).

O decreto de criação da APA estabeleceu como medida prioritária o zoneamento ambiental relacionando as atividades a serem encorajadas ou incentivadas e aquelas que deveriam ser restringidas na região. Também ficou definida a adoção de uma “faixa verde” em torno do lago,
onde somente atividades de florestamento e reflorestamento, com características de proteção e conservação de mananciais, seriam permitidas.

Apesar desses mecanismos legais de proteção, os órgãos responsáveis pelagestão das águas do Sistema Integrado do Rio Descoberto têm registrado oaumento do grau de degradação da bacia. Foram detectados problemas ambientais como processos erosivos generalizados, impermeabilização do solonas áreas urbanas, desmatamentos nas áreas de entorno, invasões das margens dos recursos hídricos por atividades agrícolas, além da expansão da cidade de Águas Lindas.

O entorno do Lago do Descoberto atualmente é ocupado por chácaras voltadas àprodução de hortifrutigranjeiros e por reflorestamento de pinus eeucaliptos. Além disso, as pressões socioambientais, tais como especulação imobiliária, invasões, presença de animais, despejo de lixo, erosões, desmatamentos e destruição das cercas de proteção existentes, geram um impacto direto sobre o Lago.
Texto:Fonte: Tribuna do Brasil