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Presidente da ANA diz que Sabesp errou em represas

por Fonte: Cosmo Online publicado 27/01/2010 23h00, última modificação 14/03/2019 16h39
O diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu Guillo, considerou inapropriada a opção da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) de armazenar água em dezembro quando as represas já estavam próximas da capacidade máxima.

Comitê das bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí alertou a Sabesp sobre possibilidade de transbordamento

28/01/2010 - 13h49 . Atualizada em 28/01/2010 - 15h55

Fernanda Nogueira
Agência Anhanguera de Notícias

O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, considerou inapropriada a opção da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) de armazenar água em dezembro quando as represas já estavam próximas da capacidade máxima.

As razões que levaram a operadora do sistema a tomar essa decisão — que culminou no transbordamento de duas represas e no alagamento de cidades ao longo dos Rio Atibaia e Jaguari — serão discutidas em reunião na Agência amanhã com representantes da Sabesp, do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e da Secretaria de Estado de Saneamento e Energia. Segundo Guillo, a ANA pedirá um detalhamento dos critérios usados pela Sabesp para escolher esse tipo de operação, do cenário com que a operadora trabalha para os próximos meses e quais são os planos de contingência para lidar com esses possíveis cenários.

“Essa opção tirou as condições de manobra do sistema, que operou próximo do limite máximo”, disse Guillo. De acordo com o diretor-presidente da ANA, embora a agência considere que o Estado de São Paulo tem condições para operar o sistema hídrico, serão oferecidos técnicos da entidade para ajudar com informações, como previsões meteorológicas.

“Vamos buscar um entendimento para fazer uma ação conjunta e diminuir os danos”, afirmou Guillo. Os questionamentos surgiram após o transbordamento dos reservatórios Jacareí/Jaguari e Atibainha, de um total de quatro que compõem o sistema de produção de água Cantareira, que causou inundações em várias cidades, como Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Pedreira e Amparo.

Outro reservatório do sistema, o Cachoeira, está com 95% da capacidade e a situação geral do Cantareira é de 99,4% de capacidade. É a primeira vez que a represa Jacareí/Jaguari, a maior do Sistema Cantareira, com vazão de 22 mil litros de água por segundo, atinge o limite máximo.

Um dos municípios mais atingidos foi Atibaia, que teve 15 bairros tomados pela água. Ao menos 900 famílias (3.600 pessoas) foram afetadas, o equivalente a 2% dos 130 mil habitantes. De acordo com a Prefeitura, 65 pessoas estão desabrigadas e 150 desalojadas. Em ao menos dois dos bairros inundados, Parque das Nações e Kalimar, moradores tiveram que usar barcos ontem para tirar seus pertences de casa.

PCJ alertou autoridades sobre risco de transbordamento

A Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico do Comitê PCJ, das bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí e Piracicaba e Jaguari, alertou a Sabesp entre setembro e outubro do ano passado sobre a possibilidade de transbordamento dos reservatórios do Sistema Cantareira. De acordo com o coordenador, Astor Dias de Andrade, a Câmara recomendou à operadora que iniciasse as descargas de água naquela época, o que foi ignorado pela Sabesp. “Eles optaram por seguir as regras estabelecidas pelos próprios técnicos”, afirmou Andrade.

Situação era ‘normal’, diz Sabesp


O engenheiro da Sabesp Carlos Roberto Dardeif disse, em entrevista coletiva ontem em Atibaia, que a situação das represas em dezembro, próximas do limite máximo de capacidade, estava “dentro da normalidade”. A operadora começou a abrir as comportas dos reservatórios no dia 17 de dezembro, quando o nível passou de 90% de capacidade. “Em dezembro, choveu por volta de 200 milímetros e este mês choveu 400 milímetros”, afirmou, ao sustentar que a principal causa das inundações são as chuvas intensas.

Questionado sobre as previsões meteorológicas feitas em dezembro, que esperavam muita chuva em janeiro, Dardis afirmou que eram apenas previsões, “que não têm precisão”. “A Sabesp opera o sistema da mesma forma desde a década de 1970”, afirmou.

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