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Predomínio do valor econômico

por Fonte: Jornal de Brasília publicado 01/02/2010 23h00, última modificação 14/03/2019 16h39
Segundo o superintendente de Meio Ambiente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Maurício Luduvice, a companhia chegou a estudar a proposta de captação de água do São Bartolomeu, mas foi orientada pela própria Agência Nacional de Águas (ANA) a suprir a baixa disponibilidade retirando água do Lago Paranoá para abastecimento urbano.

Segundo o superintendente de Meio Ambiente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Maurício Luduvice, a companhia chegou a estudar a proposta de captação de água do São Bartolomeu, mas foi orientada pela própria Agência Nacional de Águas (ANA) a suprir a baixa disponibilidade retirando água do Lago Paranoá para abastecimento urbano. "No momento, a captação de água da Bacia do São Bartolomeu está fora de análise. Pelo menos pelos próximos 30 anos", disse. Além do Paranoá, outra alternativa de captação é a Bacia de Corumbá.

A Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal (Adasa) e a ANA têm trabalhado em conjunto para proteger o Rio Pipiripau, um dos principais afluentes do São Bartolomeu. "O trabalho de fiscalização é ao longo de toda bacia, mas concentrado especialmente no Pipiripau, que é o rio que apresenta maior deficit de recursos hídricos", disse Roger de Souza, coordenador de Fiscalização da Adasa. O Programa de Produtor de Água incentiva produtores rurais a adotarem boas práticas de conservação de água e solo, como, por exemplo, o plantio de plantas nativas ou a conservação delas. "O programa visa minimizar os impactos causados pela ocupação humana, premiando quem preserva", explica Roger. A água do Pipiripau é captada pela Caesb para abastecer parte de Planaltina. A região também recebe água proveniente dos córregos Fumal e Brejinho. A captação é feita na Estação Ecológica de Águas Emendadas (tema da nossa próxima reportagem).

A água subterrânea da Bacia do São Bartolomeu é retirada para uso urbano por meio de poços artesianos e chega às torneiras de casas em São Sebastião. Segundo Roger, ainda há a possibilidade de ampliar o consumo da água da bacia de São Bartolomeu. Mas, segundo ele, a impermeabilização do solo é o principal obstáculo para que isso aconteça.

Para o professor Genebaldo Freire Dias, da UnB, a atuação dos órgãos ambientais para reduzir esses impactos é limitada. "Falta compreensão dos legisladores. O ambientalismo ainda é visto como um obstáculo para o progresso. As pessoas colocam o valor econômico acima de qualquer outro. É o analfabetismo ambiental", argumenta.

Porém, nem tudo está perdido. "Por outro lado, tem as universidades que demonstram a necessidade dos processos que precisam ser desenvolvidos", acalenta. "Quando as pessoas ligam a TV ou leem o jornal e percebem o que está acontecendo com o mundo em termos de enchentes, secas e outras manifestações naturais que causam desastres, elas estão tendo uma mostra do que nós, ambientalistas, queremos dizer. Se não mudarmos nossas atitudes, essas cenas não se tornarão apenas mais frequentes, mas também mais graves", alerta.





Texto:Fonte: Jornal de Brasília