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Pesquisadores levantam informações na região da nascente do Amazonas

por ASCOM/ANA publicado 19/06/2007 00h00, última modificação 14/03/2019 16h36
A primeira expedição científica brasileira-peruana à região da nascente do rio Amazonas seguiu para os Andes do Sul do Peru no final de maio. Os pesquisadores enfrentaram o clima inóspito de localidades a mais de 5,5 mil metros de altitude para coletar dados cartográficos, hidrológicos e ambientais
A primeira expedição científica brasileira-peruana à região da nascente do rio Amazonas seguiu para os Andes do Sul do Peru no final de maio. Os pesquisadores enfrentaram o clima inóspito de localidades a mais de 5,5 mil metros de altitude para coletar dados cartográficos, hidrológicos e ambientais de três pontos avaliados como potenciais nascentes. Os resultados permitirão identificar o local mais distante da foz do Amazonas onde se pode constatar escoamento superficial de volumes de água.

Organizada pela RW Cine, produtora dos documentaristas Paula Saldanha e Roberto Werneck, a expedição foi composta por pesquisadores da Agência Nacional de Águas (ANA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Geográfico Nacional do Peru (IGN).

A origem do Amazonas sempre foi um enigma da geografia. Durante a pesquisa de campo, três pontos foram considerados como potenciais nascentes. Nesses locais, nos quais se verificaram afloramentos de lençóis subterrâneos (fontes ou nascentes), os pesquisadores levantaram dados geodésicos de alta precisão. Dois pontos encontram-se nas cabeceiras do Nevado Mismi (Quebrada Carhuasanta e Lagoa) e um, no Nevado Queuisha (Quebrada Apacheta)

Qualquer um desses pontos contraria os estudos que, tradicionalmente, apontam o Marañon como a nascente do Amazonas. O rio, que já era considerado o mais caudaloso do planeta, com os dados da missão, poderá ser considerado também o mais extenso, superando o Nilo.

A importância dos dados coletados vai ainda além. “A sensibilização das instituições brasileiras e peruanas ligadas à gestão de recursos hídricos e ambientais para a necessidade de se conhecer melhor a região da nascente do Amazonas pode trazer benefícios diretos para a população desses países”, afirma Fabrício Alves, especialista em Recursos Hídricos da ANA. “Através da implantação de redes de monitoramento de algumas variáveis hidrológicas nas cabeceiras – partes altas – dos rios é possível acompanhar, e até prever, a magnitude e os efeitos dos eventos hidrológicos críticos nas partes baixas das bacias”, completa.

Fabrício lembra que, em 2005, o Amazonas enfrentou uma das piores secas da história, e o monitoramento das nascentes poderia ter ajudado a estabelecer uma estratégia governamental de atendimento às populações ribeirinhas, que sofreram com a falta de alimentos, medicamentos, dentre outros suprimentos.

Dados
Os dados e as informações coletadas durante a expedição estão em fase de processamento nas diversas instituições e devem ser apresentados nos próximos meses.

À ANA coube avaliar as medições hidrológicas (vazão e parâmetros de qualidade da água). Com relação à vazão, análises das medições realizadas próximo à confluência dos rios Carhuasanta e Apacheta indicam que o curso d’água formado na bacia hidrográfica do Nevado Queuisha contribuía, à época da expedição, com um valor de aproximadamente 230 litros/segundo. Esse valor era quase 53% maior que a contribuição da bacia Carhuasanta, cuja vazão ficou em torno de 150 litros/segundo.

“É de suma importância realizar outras expedições à região da nascente do rio Amazonas, já que a distribuição da água no ciclo hidrológico sofre diversas mudanças durante o ano (épocas de cheias ou estiagens), sendo, assim, necessário conhecer com mais precisão o comportamento dos cursos d’água em outras épocas do ano”, salienta o especialista em recursos hídricos da ANA Fabrício Alves.

Uma outra expedição à região dos Andes já está sendo articulada pelas instituições. A próxima viagem deverá acontecer em setembro.

Diário de bordo
Os pesquisadores e a equipe de documentaristas foram orientados durante todo o deslocamento nos Andes Peruanos por uma equipe de andinismo. Fabrício relata que as principais dificuldades da expedição estiveram relacionadas à altitude (ar rarefeito) e ao frio durante o período noturno, quando a temperatura era de aproximadamente -15ºC.

Mesmo com o processo de aclimatação, alguns integrantes da expedição passaram mal, sendo que um documentarista voltou antes ao Brasil por orientação médica.

Para ver as fotos da expedição clique aqui.