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Parte alta ainda não está preparada para 'boom' imobiliário

por Fonte: Gazetaweb (AL) publicado 15/03/2010 00h00, última modificação 14/03/2019 16h40
O bairro Tabuleiro do Martins é a ‘bola da vez’ do setor imobiliário em Maceió. Fomentado pela elevação do poder de compra do salário mínimo, assim como pelo incentivo do Governo Federal à realização do sonho da casa própria. De acordo com o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-AL), Judson Uchôa, a região deve ganhar mais de quatro mil unidades nos próximos anos.
Região entre a Serraria e Graciliano Ramos receberá milhares de unidades habitacionais e bairros necessitam de melhor infra-estrutura
reportagem de Bruno Soriano
 
O bairro Tabuleiro do Martins é a ‘bola da vez’ do setor imobiliário em Maceió. Fomentado pela elevação do poder de compra do salário mínimo, assim como pelo incentivo do Governo Federal à realização do sonho da casa própria, o segmento agora aposta em conjuntos habitacionais na parte alta da cidade, em especial, no trecho compreendido entre a Serraria, no início da Avenida Menino Marcelo (antiga Via Expressa), e o Conjunto Graciliano Ramos, no bairro Cidade Universitária.
 
De acordo com o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-AL), Judson Uchôa, a região deve ganhar mais de quatro mil unidades nos próximos anos. Com tamanha expectativa, surge uma indagação: Maceió estaria preparada para tal crescimento, ou a cidade ainda necessita de investimento maciço em infraestrutura?
Pensando nisso, a reportagem da Gazetaweb ouviu especialistas para saber se a capital alagoana poderá ver comprometida sua estrutura de abastecimento d’água e de energia elétrica, por exemplo. À reportagem, a Companhia de Energia Elétrica de Alagoas (Ceal) informou haver a necessidade de investimento até 2012, devido à chegada de empreendimentos como o novo shopping Center, na pista de acesso ao Benedito Bentes, cuja subestação que abastece a área já opera com 85% de sua capacidade.
 
Já a Companhia de Abastecimento de Alagoas (Casal) informou que a solução estará na conclusão de obra, já licitada, do sistema Meirim-Pratagy, em projeto orçado em R$ 120 milhões.
 
Apesar da urgente necessidade de ampliação dos sistemas, os técnicos garantem não haver motivo para pânico. Em tempo hábil – conforme planejamento em comum acordo com as empresas de construção civil que exploram a região –, eles esperam que tudo esteja pronto para o pleno crescimento do que alguns já denominam de bairro do futuro.
 
Investimento
 
Para o presidente da Ademi, a chegada de empreendimentos imobiliários atrai, automaticamente, investimentos do setor público no que diz respeito à infraestrutura, desenvolvendo os bairros da parte alta da cidade. “Não é à toa que já temos um grande shopping à porta do Benedito Bentes”, destacou.
 
De acordo com o também empresário Judson Uchôa, a grande vantagem é o fato de as moradias, naquela área, serem destinadas a um público diferenciado, que, graças aos programas habitacionais do Governo Federal, tem concretizado o sonho da casa própria em suaves prestações, por meio de financiamento junto à Caixa Econômica. “Esta é a grande chance daqueles que formam as classes D e E, que antes não tinham condições de deixar o aluguel”, emendou Uchôa, acrescentando não mais haver espaço para se construir na parte baixa da cidade, ‘com a exceção da região norte, ainda muito aberta’.
 
“A bola da vez é o Tabuleiro, que possui muitas áreas a serem habitadas e onde os terrenos ainda podem ser encontrados a preços acessíveis”, salientou.
 
Déficit obriga Casal a investir R$ 120 milhões
 
Já no tocante ao abastecimento d’água, o gerente de operações da Casal, Jorge Brizeno, explica que a companhia está se preparando para atender a demanda oriunda das muitas habitações que serão entregues. O objetivo é captar água do Rio Meirim, no Benedito Bentes.
 
“Com o Sistema Meirim - Pratagy, que, por sinal, já está licitado e integra uma das obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal], vamos canalizar esta água, com os chamados anéis de distribuição, até a adutora do Pratagy, reforçando o abastecimento na região”, explicou Brizeno, acrescentando que os anéis terão 15 km de extensão e um metro de diâmetro, aumentando em 130% a oferta d’água na capital, em projeto orçado em R$ 120 milhões. “Aguardamos recursos federais para também reforçarmos o abastecimento na área da Cidade universitária e do Eustáquio Gomes”, complementou.
Contudo, em longo prazo, a importância do fortalecimento da rede se faz ainda mais pujante. Relatório recentemente divulgado pela Agência Nacional das Águas (ANA) revelou que a região metropolitana de Maceió, formada por 11 municípios, precisa de investimento de R$ 279 milhões, sobretudo em esgotamento sanitário, já que os principais sistemas produtores de Maceió ainda são o do rio Pratagy e o de poços profundos, responsáveis pelo atendimento de cerca de 82% da demanda da cidade.
 
Ceal necessita reforçar sistema até 2012
 
Já a Ceal também garante ‘tudo sob controle’. Segundo a assessoria de comunicação do órgão, a capital alagoana é hoje atendida por um único ponto de suprimento, denominado SE Maceió, da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). Tal subestação já alcançou a sua capacidade máxima instalada, com quatro transformadores de 100 MVA cada, havendo a necessidade de ampliação já em 2012. E tendo em vista que a citada subestação não pode receber o quinto transformador, a Ceal considera imprescindível a implantação de mais um ponto de suprimento na capital, a fim de que a anunciada demanda seja atendida.
 
Com isso, Ceal, Chesf e Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já iniciaram estudo acerca da possibilidade de reforço ao interligar as subestações de Messias, Maceió 1 e 2, o que, segundo a assessoria, proporcionará maior confiabilidade e qualidade da energia elétrica ofertada ao consumidor. O relatório final do levantamento será encaminhado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que levara a solicitação ao regime de leilão.
 
Novo shopping eleva demanda
 
Já com relação ao sistema elétrico da CEAL na região do Benedito Bentes e bairros circunvizinhos, estes são alimentados por subestação composta por dois transformadores de 20 MVA. Seu fator de utilização já atingiu 85%, e o aumento deste índice teve a contribuição da construção de empreendimentos como o Shopping Pátio Maceió, com 5 MW, e a Coca-Cola, com 3 MW, além da implantação de vários empreendimentos residenciais naquela região.
 
Com a previsão de construção de milhares de casas populares, graças ao programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, a Ceal já atenta para a necessidade de implantação de uma subestação na Serraria, equipada com dois transformadores de 20 MVA, de modo a permitir transferência de cargas das subestações Tabuleiro do Martins, Benedito Bentes e Cruz das Almas, para equalizar os carregamentos destas subestações.
 
Investimento de R$ 11 milhões
 
Para tal, a Ceal informa que já foram encaminhados para a Eletrobrás pedidos de financiamento destinados à construção desta subestação e de alimentadores 13,8 kV, em projeto estimado em R$ 11 milhões, com conclusão prevista para dezembro de 2011.
 
Procurado pela reportagem da Gazetaweb, o assistente da diretoria de planejamento e expansão, engenheiro Geraldo Dias, confessou haver a preocupação, por parte do órgão, para com a necessidade de reforço no sistema de abastecimento de energia elétrica na região, garantindo que a Ceal já fora procurada pelos construtores, atendendo assim à exigência da Caixa Econômica.
 
“Eles nos solicitam uma carta de viabilidade técnica, garantindo o fornecimento de energia elétrica para os empreendimentos. A Ceal, quando solicitada, realiza um estudo técnico do alimentador onde vai ser interligada a carga e define se há viabilidade de instalação de um empreendimento no local, respondendo à construtora”, comentou o engenheiro.
Texto:Fonte: Gazetaweb (AL)