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Interligação de bacias pode ser solução para regiões semiáridas

por Cláudia Dianni/ANA publicado 18/08/2010 00h00, última modificação 15/03/2019 09h20
Os eventos críticos, como secas e enchentes, poderão tornar-se mais frequentes. Por isso, atenção especial deve ser dada às regiões semiáridas. As perspectivas de mudanças climáticas tornam as transposições ainda mais importantes, no entanto, aumentam a necessidades de planejá-las.
A transposição de bacias e a consequente introdução de sistemas de regularização decorrente da administração de estoques e fluxos de água como solução para regiões que sofrem com as secas, proporciona as ferramentas para desenvolvimento econômico e social e sustentabilidade  ambiental. As transposições podem reduzir a incerteza da oferta hídrica, viabilizando investimentos. 

Na quarta feira (18/08), o painel “Transposição de Bacias em Regiões Semiáridas”, da Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICID  2010), discutiu as necessidades que devem ser observadas nesses empreendimentos frente aos desafios da expansão econômica, sustentabilidade social e ambiental e mudanças climáticas.

O superintendente de Outorga e Fiscalização da Agência Nacional de Águas (ANA), Francisco Viana, apresentou as características do Projeto de Transposição do Rio São Francisco. Segundo ele, a maior preocupação da ANA não é com relação ao volume de água transportado para o Nordeste Setentrional, mas com a solidez do arcabouço institucional que o empreendimento requer. “A grande questão é quem vai operar de maneira sustentável a transposição. Nunca houve uma preocupação com a oferta de água, que é mais do que suficiente”, disse.

O ciclo hidrológico está diretamente vinculado às mudanças de temperatura da atmosfera e ao balanço de radiação. Com o aquecimento da atmosfera, de acordo com o que sinalizam os estudos disponíveis, espera-se, entre outras consequências, mudanças nos padrões de precipitação (aumento na intensidade e variabilidade das chuvas), o que poderá afetar significativamente a disponibilidade  e distribuição nos rios.

Em outras palavras, os eventos críticos, como secas e enchentes, poderão tornar-se mais frequentes. Por isso, atenção especial deve ser dada às regiões semiáridas. As perspectivas de mudanças climáticas tornam as transposições ainda mais importantes, no entanto, aumentam a necessidades de planejá-las.

De acordo com Peter Van Nierck, especialista da África do Sul, além de integração e instituições, as regiões semiáridas precisam de planejamento. “É preciso planejar antes que os problemas aconteçam. É preciso incluir no planejamento, além de transposição, ações de dessalinização e reciclagem”, disse. 

O painel abordou ainda questões relacionadas à avaliação dos efeitos positivos e negativos das interligações nas bacias doadoras e nas bacias receptoras e tecnologias que podem favorecer e garantir o desenvolvimento sustentável das áreas beneficiadas.
 
 
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Texto:Cláudia Dianni/ANA
Foto:Cláudia Dianni/Banco de Imagens ANA