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Especialistas falam da situação hídrica do País

por Fonte: DCI publicado 19/03/2010 00h00, última modificação 14/03/2019 16h40
Em 22 de dezembro de 1992, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que no dia 22 de março de cada ano,a partirde1993, seriacelebrado o DiaMundial da Água. A cada ano, portanto, a data é marcada para discussões e reflexões sobre os diversos temas que envolvem a água e seu exacerbado consumo.
Diego Costa
 
Especialistas falam da situação hídrica do País
Em 22 de dezembro de 1992, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que no dia 22 de março de cada ano, a partir de 1993, seria celebrado o Dia Mundial da Água. A cada ano, portanto, a data é marcada para discussões e reflexões sobre os diversos temas que envolvem a água e seu exacerbado consumo.

Hoje em dia, atemática do meio ambiente é assunto praticamente diário das mídias jornalísticas, e tema decorrente em palestras e salas de aula. A questão ganhou
força, e acordos internacionais; como o Protocolo de Kyoto (que temoobjetivo dereduzir o aquecimento global) e a conferência do clima, em Copenhague, na Dinamarca,
além de tentar diminuir os riscos naturais do planeta, e alertar a população sobre o estado crítico do planeta Terra.

Entre as várias vertentes do meio ambiente, um item desperta a atenção tanto do governo quanto da população: o futuro da água.

De acordo com levantamento coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA), as condições dos mananciais e dos sistemas de produção de água em 2.965 municípios
revelaram que 1.896 deles, ou seja, 64%,necessitam de investimentos prioritários que totalizam R$ 18,2 bilhões. Se concluídos até 2015, podem garantir o abastecimento até 2025.

Para o Coordenador de Articulação e Comunicação da Agência Nacional de Águas(ANA), Antônio Félix Domingues (na foto), “nós [Brasil] estamos em uma encruzilhada”.

“Nos últimos 10 anos, o Brasil conseguiu colocar de pé um
sistema de recursos hídricos. [O sistema] aindaé jovem, não podemos dizer que daqui a 10 anos estaremos melhor, embora tenhamos avançado muito na última década”, diz Félix Domingues.

Outro fator que a situação hídrica do País implica é a intensa população brasileira que ainda não se estabilizou. “Nos países desenvolvidos é raro haver crescimento populacional. No Brasil, há um problema grave. A população ainda está mudando, e nós tivemos, nos últimos 50 anos,um processo
de urbanização intensa que passou a utilizar mais água e a produzir mais esgoto”, explica o coordenador da agência reguladora.
Para Félix Domingues, a migração influenciou a qualidade da
água, já que o esgoto, que não é tratado, compromete a condição da água. “A ocupação de mananciais [em alguns lugares no Brasil], onde há população hospedada, são locais em que não deveria ter gente morando”, diz. E completa: “O
Brasil pode até melhorar, mas depende da política pública”.
Preservação em empresas

O Gerente da Divisão de Tratamento de Águas daArgal Química, Sérgio Belleza,trabalha há 22 anos no segmento hídrico. A empresa, procurada por outras, de diferentes
setores, atua no tratamento de águas industriais, entre outros serviços.

Segundo o especialista, as instituiçõesque se preocupam em
fazer o reúso da água não recebem “grandes incentivos” por parte do governo. Em tempos de sustentabilidade e preservação do meio ambiente, Belleza diz que as corporações procuram a Argal por dois motivos: “Existem empresas que se preocupam com o reúso da água, com a ecologia, enquanto outras querem mesmo é cortar
despesas”, comenta. De acordo com o executivo, é “difícil mensurar”, mas Belleza acredita que 60% das empresas se preocupam com o custo e que as outras 40% estão mais interessadas na preservação do bem natural.
A AmBev, empresa de bebidas, tem papel importante no cenário da educação ambiental. Nesta segunda-feira (22) —Dia Mundial da Água— será realizado o “Movimento CYAN –Quem vê a água enxerga seu valor”, uma campanha de mobilização para o uso consciente deste recurso natural. Além de ciclo de debates com especialistas do Brasil e de outros países, o evento traz uma campanha publicitária nacional, com exibição de filmes e fotos; exposições interativas, como a Casa Líquida, e aplicativos on-line de educação ambiental.

Para complementar o projeto, o artista plástico Guto Lacaz
fará uma intervenção artística na marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo, às 19h.
Números

O planeta terra possui mais água do que terra, no entanto 97% dessa água é salgada e imprópria para o
consumo. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível no mundo, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na Bacia do Rio Tocantins,
onde vive a menor população por quilômetro quadrado do
País.De acordo como Relatório do Desenvolvimento Humano de 2006, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), as normas internacionais definidas por organismos como a Organização Mundial de Saúde (OMS)e o Fundo das Nações Unidas para a Infância(Unicef) sugerem consumo mínimo de 20 litros por dia provenientes de uma fonte situada a até um quilômetro dolar. A quantidade é considerada suficiente para beber e garantir a higiene pessoal de uma família. Segundo o mesmo
relatório, o Brasil consome aproximadamente 180 litros
por dia, por habitante —quantidade acima do indicado pelo órgão.
 
Texto:Fonte: DCI