Você está aqui: Página Inicial > Notícias antigas > Escassez da água poderá transformá-la na principal commodity do século 21

Escassez da água poderá transformá-la na principal commodity do século 21

por O Estado Online - RJ publicado 21/09/2010 00h00, última modificação 15/03/2019 09h21
Já se tornou clichê a idéia de Planeta Água com sendo o nome ideal para a Terra. No entanto, caso o desperdício não seja contido, em poucas décadas enfrentaremos uma crise mundial de água. Por conta dessa previsão, ganha força entre grandes nações e grupos empresariais a ideia de transformar o líquido, atualmente um direito, em mercadoria. Ou seja, quando isso acontecer, seu preço irá disparar e poucos terão como arcar com os custos.
Substância no patamar das riquezas
 
Por Melina Lessa
 
Já se tornou clichê a idéia de Planeta Água com sendo o nome ideal para a Terra. No entanto, caso o desperdício não seja contido, em poucas décadas enfrentaremos uma crise mundial de água. Por conta dessa previsão, ganha força entre grandes nações e grupos empresariais a ideia de transformar o líquido, atualmente um direito, em mercadoria. Ou seja, quando isso acontecer, seu preço irá disparar e poucos terão como arcar com os custos.
 
E essa realidade não está distante. Para se ter uma noção, acaba de entrar em vigor uma lei que obriga as empresas situadas nos entornos do Rio São Francisco a pagar pelo uso de seus recursos hídricos. A Agência Nacional das Águas (ANA) espera arrecadar R$ 10 milhões até dezembro. “É importante ressaltar que a cobrança pelo uso da água dos rios não é um imposto, mas um preço público definido em consenso pelo próprio comitê de bacia, e quem paga são os usuários do rio, como se faz em um condomínio, por exemplo”, esclarece Vicente Abreu, diretor-presidente da ANA.
 
Sendo assim, ONGs alertam: o controle sobre as reservas já é uma questão de soberania. Isso significa que países com vastos mananciais passaram a ser alvo da cobiça de nações desenvolvidas e corporações transnacionais. A explicação é simples: a falta de acesso à água potável atinge atualmente 900 milhões de pessoas. As projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS) para 2050 são de que esse número salte para 2,8 bilhões, levando nada menos que 48 países à crise de abastecimento.
 
Pesquisadores destacam que o consumo dobrou nos últimos 20 anos, devido ao aumento da população, do uso industrial e do crescimento da agricultura irrigada. Tamanha é a preocupação, que a ONU reconhece agora o acesso à água como um direito humano essencial. A resolução foi aprovada pela Assembléia Geral em julho. Também é preciso levar em conta que, mais rara do que a quantidade de água doce - cerca de 1% de todo o volume existente -, é aquela encontrada facilmente retirável para uso, como em rios, lagos e subsolos não muito profundos.
 
A situação brasileira
 
Além de deter a maior reserva e fonte de água doce do mundo, o Brasil recebeu nota máxima em estudo realizado pela ONG Global Water Partnership por suas políticas de preservação. Mas ainda não é possível se orgulhar. A utilização indiscriminada continua e tem reduzido as reservas superficiais. O abastecimento das megacidades é apontado como sendo o principal responsável, o qual, devido em grande parte ao desperdício, corresponde à metade do total de água distribuída.
 
As esferas de governo citam outro fator relevante: a poluição. “O principal agente de poluição é o esgoto doméstico, lançado de maneira imprópria por condomínios e casas. Em segundo lugar, podemos colocar o lixo despejado pelos moradores das ocupações irregulares”, explica Vera Lúcia Pereira, gerente da Segunda Gerência de Despoluição da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro.
 
Em meio a isso, os candidatos à presidência se comprometem a investir pesado na questão. Favorita nas eleições, Dilma Rousseff, do PT, se propôs a ampliar o acesso à água potável a todos os brasileiros. Em segundo lugar nas pesquisas, José Serra, do PSDB, também colocou como prioridade o desenvolvimento do setor. De acordo com seu discurso no Encontro Nacional dos Partidos PSDB, DEM e PPS, “é possível, sim, fazer o país crescer e defender nosso meio ambiente […] Água encanada de boa qualidade, esgoto coletado e tratado não são luxo […] A economia verde é, ao contrário do que pensam alguns, uma possibilidade promissora para o Brasil”.
Texto:O Estado Online - RJ