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Distribuição de água potável e saneamento também é desigual

por Fonte: Brasil Econômico/Destaque publicado 01/06/2010 00h00, última modificação 14/03/2019 16h42
A desigualdade social fica clara também quando o assunto é acesso à água potável e ao tratamento de esgotos no Brasil. Parece haver dois países. Um, das regiões mais ricas, que têm companhias de saneamento do primeiro nível internacional. O outro, das demais,onde o serviço oferecido é quase de patamar africano.
Dois países convivem em um só. Regiões ricas, principalmente no Sudeste, têm serviço de primeiro nível

Simone Cavalcanti
A desigualdade social fica clara também quando o assunto é acesso à água potável e ao tratamento de esgotos no Brasil. Parece haver dois países. Um, das regiões mais ricas, que têm companhias de saneamento do primeiro nível internacional. O outro, das demais,onde o serviço oferecido é quase de patamar africano. “Nos países da América Latina há muitas diferenças entre as regiões de um mesmo país, mas, aqui no Brasil, isso é muito acentuado”, afirmou Victor Arroyo, chefe de Água e Saneamento para América Latina e Caribe da ON–Habitat, agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

A avaliação é comprovada com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), pelos quais o Sudeste tem o maior percentual de atendimento do país, 90,3% da população em relação à água e 66,6% para a coleta de esgoto. A área urbana é ainda mais privilegiada, tem 97,6% e 72,1%, respectivamente. No Norte, em média, só pouco mais da metade dos brasileiros (57,6%) pode contar com o recurso hídrico e 5,6% com o tratamento de resíduos.
 
A falta de água e saneamento tem efeitos principalmente sobre a saúde da população, pois a precariedade dessas condições eleva o índice de doenças. Mas, sobretudo, há o impacto significativo sobre o bom desenvolvimento e educação das crianças. “As crianças temmais problemas de saúde, vão menos à escola e, enfim, têm mais problemas para ter uma vida normal”, diz Arroyo. Além de ser um entrave para o bem-estar, essas condições também impedem o desenvolvimento econômico dos países, pois atravancam as atividades industriais, agrícolas e até das próprias cidades.

Para o especialista da ONU, esse é um problema de gerência nacional, pois as políticas não foram adequadas para o desenvolvimento das diversas áreas. O diretor João Gilberto Lotufo, da Agência Nacional De Águas (ANA) compartilha a opinião e diz que o país ainda está muito aquém de uma
gestão mais profissional na distribuição e tratamento das águas, embora já existam empresas como a Sabesp – que tem capital aberto e uma prestação de serviços em princípio de alta qualidade.
 
No caminho rumo à solução, Arroyo indica a necessidade de um agrupamento de capacidade entre as companhias de serviços de água e esgoto no plano municipal. Nesse sentido, diz, é preciso haver colaboração, um trabalho em conjunto para que as empresas mais desenvolvidas auxiliem no desenvolvimento das outras. “Não é apenas um problema de
acesso à água, mas porque não há técnicos formados, não há suficiente capacidade para fazer bons planos de saneamento”, afirma. Além, é claro, do direcionamento de recursos. Lotufo estima que seja necessária a aplicação de pelo menos R$ 41 bilhões até 2015 para a metade dos
municípios brasileiros já analisados pelo atlas de abastecimento elaborado pela agência reguladora.
 
O mapeamento para o restante das cidades deve ser lançado até o final deste ano e indicará maior necessidade de investimentos. Para Lotufo, caso nada mude, a perspectiva é
problemática. Ainda mais nas grandes metrópoles, onde os mananciais estão cada vez mais escassos por conta do crescimento desordenado das cidades.
Texto:Fonte: Brasil Econômico/Destaque