Você está aqui: Página Inicial > Notícias antigas > Chuvas: alerta é ampliado para abril

Chuvas: alerta é ampliado para abril

por Fonte: Correio Popular (SP) publicado 17/02/2010 23h00, última modificação 14/03/2019 16h39
As águas de março que fecham o Verão vão invadir o Outono neste ano. A previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é de que choverá acima da média até abril, contrariando a tradição imortalizada na música de Tom Jobim. A constatação, aliada à situação dos reservatórios do Estado, que estão próximos do limite de capacidade, representa riscos de mais enchentes no próximos dois meses nas regiões Sul e Sudeste.

Previsão de volume acima do normal em período atípico reforça a necessidade de monitoramento

Maria Teresa Costa

As águas de março que fecham o Verão vão invadir o Outono neste ano. A previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é de que choverá acima da média até abril, contrariando a tradição imortalizada na música de Tom Jobim. A constatação, aliada à situação dos reservatórios do Estado, que estão próximos do limite de capacidade, representa riscos de mais enchentes no próximos dois meses nas regiões Sul e Sudeste.

O Inpe já disparou o aviso para as autoridades de Defesa Civil e de gestão de águas para que mantenham-se em alerta e não deixem de monitorar os reservatórios e as áreas de risco. A previsão de mais chuvas para o trimestre de fevereiro a abril consta do Relatório Técnico das Condições Climáticas do Verão 2009/2010, elaborado pela equipe do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Inpe. O documento foi recebida no último dia 11 pela Agência Nacional de Águas (ANA) e distribuído para todo o País.

Segundo o relatório, na região Sudeste deverá chover acima do normal, especialmente no Estado de São Paulo, com probabilidade da previsão se estender ao Sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nas demais áreas, a perspectiva é de que o volume de chuva fique próximo do normal. Em função dessa notícia de precipitações atípicas, a Defesa Civil de Campinas vai manter o sistema de alerta até o final de abril, com monitoramento de áreas de risco. “Mesmo chovendo acima da média, acreditamos que os índices pluviométricos serão inferiores a janeiro, que foi o pior mês. O que nos preocupa agora são os temporais, que provocam transtornos até em áreas que não são de risco. Dependendo de onde caem, os estragos são imensos”, afirmou o coordenador regional da Defesa Civil, Sidnei Furtado Fernandes.

“Tivemos em janeiro deste ano quase o mesmo índice de chuva de 2003, de 131 milímetros. Naquele ano, seis pessoas morreram e a chuva foi em área urbanizada, como o Parque Imperador. Neste ano, os temporais atingiram áreas carentes e não tivemos morte. O único óbito que tivemos foi uma fatalidade, de uma mulher, no Taquaral, que caiu na enxurrada”, disse Fernandes.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, contribuíram para a redução dos impactos sobre as populações as obras antienchentes e as remoções de moradores de áreas de risco. Açudes O secretário municipal de Meio Ambiente, Paulo Sérgio de Oliveira, informou que, com a extensão do período de chuvas, a Prefeitura continuará monitorando os 23 pontos da cidade onde existem açudes com alto risco de transbordamento. São 229 açudes com mais de 10 mil metros quadrados. “Nosso foco são os açudes maiores, que, num eventual rompimento, podem inundar áreas urbanas”, afirmou.

Nas regiões de São Paulo, Rio de Janeiro e Sul do País, choveu acima da média em outubro, novembro, dezembro e a maior parte de janeiro — com um acumulado de precipitação mensal entre 100 e 300 milímetros acima do padrão normal para a região. Dessa forma, os reservatórios nas regiões Sul e Sudeste estão com suas capacidades próximas do limite, diz o Inpe. “O solo nessas regiões está bastante saturado e, assim, há uma grande eficiência da precipitação no enchimento dos reservatórios”, informa o relatório.

Causas

Um dos principais causadores do excesso de chuvas no Sul e Sudeste, segundo o Inpe, foi o anômalo transporte de umidade da região Norte em direção ao Sul e Sudeste. Esse transporte, informa o relatório, associado à presença do fenômeno El Niño, provocaram volumes intensos de precipitação em algumas localidades, gerando pancadas de chuva, como a que atingiu Campinas na tarde de ontem.

Falta de energia gera pane em semáforos do Centro

Uma rápida pancada de chuva que atingiu Campinas no final da tarde de ontem foi suficiente para deixar em pane pelo menos seis semáforos na região central da cidade. Vias de grande fluxo de veículos como as avenidas Benjamin Constant, Andrade Neves, Nossa Senhora de Fátima e Júlio Prestes ficaram cerca de 40 minutos com o sistema inoperante. Era 17h, início do horário de pico. Técnicos da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) foram acionados e auxiliaram o trânsito. De acordo com a Emdec, a falha aconteceu após uma queda de energia provacada pela chuva. Apesar do transtorno, não houve maiores estragos e a região Sul da cidade foi a mais atingida. (Luciana Félix/AAN)

Sistema Cantareira está perto de seu limite

Os reservatórios do Sistema Cantareira estavam ontem com volume de água armazenado equivalente a 95,6% da capacidade, segundo a Companhia de saneamento básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Há um ano, o sistema operava com 72,1% de sua capacidade. “Já temos a rede de monitoramento, o que precisamos é melhorar as defesas civis nos municípios, para que possam agir rapidamente sobre as populações que estão em áreas de risco”, disse o secretário executivo do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), Dalto Favero Brochi.

A Sabesp informa a Defesa Civil do Estado sobre as condições do sistema e alertas de abertura dos reservatórios, que repassa as informações para as defesas civis nos municípios. “Nem todos os municípios têm Defesa Civil. Por isso, o consórcio tem insistido para que essa comunicação seja mais firme e que os comunicados sejam repassados também às prefeituras, gestores de água e bombeiros, para que ações preventivas e de socorro às populações sejam adotadas de forma mais eficaz”, disse Brochi.

O consórcio propôs, na semana passada, a implantação de uma central de monitoramento e planejamento das águas, para garantir a aplicação dos planos emergenciais dos impactos causados pela cheia, ações preventivas e medidas de planejamento. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), por exemplo, Artur Nogueira e Engenheiro Coelho não têm Defesa Civil. Vinhedo está em estruturação. Mesmo em cidades que possuem o órgão, a situação é precária.

Dependendo de quanto chover, disse Brochi, não será necessário descarregar tanta água dos reservatórios do Sistema Cantareira como ocorreu em janeiro. “Tivemos problemas sérios em Atibaia e Bom Jesus dos Perdões porque o excesso de chuva já havia feito os cursos de água transbordarem e, com o descarregamento do Cantareira, o que já estava alagado ficou ainda pior”, afirmou. (MTC/AAN)


Texto:Fonte: Correio Popular (SP)