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Brasil tem 40 milhões sem acesso à água

por Fonte: Agência Amazônia de Notícias publicado 21/03/2010 00h00, última modificação 14/03/2019 16h40
Mais da metade da população mundial – cerca de 3 bilhões de pessoas – sofrerá escassez de água em 2025, estima a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, onde há a maior concentração de água doce superficial do mundo, mais de 40 milhões de brasileiros não têm acesso aos sistemas de abastecimentos públicos.

Amazônia concentra 80% da água doce, mas tem seus principais corpos d’água poluídos por esgotos in natura

CHICO ARAÚJO (chicoaraujo@agenciaamazonia.com.br)

BRASÍLIA – Mais da metade da população mundial – cerca de 3 bilhões de pessoas – sofrerá escassez de água em 2025, estima a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, onde há a maior concentração de água doce superficial do mundo, mais de 40 milhões de brasileiros não têm acesso aos sistemas de abastecimentos públicos. A falta de esgotos tratados afeta outros 100 milhões de brasileiros. É nesse trágico cenário que se comemora nesta segunda-feira, 22, o Dia Mundial da Água.

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA) as principais bacias brasileiras apresentam problemas de poluição. Cidades da Amazônia, entre as quais Manaus, Belém, Rio Branco e Porto Velho se deparam com o lançamento de esgotos domésticos em seus corpos d’água. O outro fator que afeta a região são as mudanças climáticas globais. No ano de 2005, a Amazônia enfrentou uma seca sem precedentes, provocada por fenômenos climáticos. O Rio Negro, um dos mais caudalosos da região, secou em vários pontos.

E a cada dia os recursos hídricos estão cada vez mais vulneráveis e ameaçados. A conseqüência dessa situação é a redução de água tratada oferecida à população. No mundo, 2,6 bilhões de pessoas não contam com saneamento básico, e o resultado é a morte de 5 milhões de pessoas por ano devido às doenças ocasionadas pela má qualidade da água. As crianças são as mais atingidas. No planeta 4,2 mil morrem diariamente – três a cada minuto – devido à falta de saneamento. Na América Latina são 100 mortes por dia – ou seja, 36 mil por ano.

A falta de água de qualidade e esgotos traz consigo doenças, entre as quais a hepatite A, diarréia, dengue, cólera e esquistossomose. Em dez anos, o Brasil registrou mais de 700 mil internações decorrentes de doenças relacionadas à falta ou inadequação de saneamento. Para mudar esse quadro o País teria que investir R$ 260 bilhões, mas como o governo só investe, em média, R$ 4 bilhões por ano, seriam necessários mais de seis décadas para resolver o problema.

Água limpa para um mundo saudável

Para aumentar a consciência pública da importância da conservação dos recursos hídricos, a ONU institui o Dia Mundial da Água, comemorado no dia 22 de março. A cada ano a organização estabelece um tema para reflexão. O deste ano é “Água limpa para um mundo saudável”. Dessa forma, a ONU pretende chamar a atenção da população e dos governos para os problemas relacionados com os recursos hídricos.

Neste ano de 2010 a ONU volta suas atenções para os países em vias de desenvolvimento, os mais afetados pela falta de água potável. Na sua mensagem para o Dia Mundial da Água, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, faz uma ligação da preservação dos recursos hídricos com os objetivos das Nações Unidas.

De acordo com Ban Ki-moon, “a água é o elo que une todos os seres vivos do planeta e está ligada diretamente aos objetivos das Nações Unidas – melhorar a saúde materna das crianças, a esperança de vida, a emancipação das mulheres, o desenvolvimento sustentável, bem como a adaptação e a atenuação das mudanças climáticas”.

O secretário-geral da ONU ainda reconhece que os recursos hídricos estão cada vez mais escassos, e alerta que a situação tende a piorar. Atualmente, os pobres são os primeiros a sofrer coma poluição, a escassez de água e a falta de saneamento adequado, lembra Ban Ki-moon. Por essa razão, a ONU trabalha no sentido de reduzir para a metade, até 2015, a proporção da população sem acesso à água potável e a saneamento básico, assim como reduzir para dois terços a mortalidade infantil e a incidência de doenças, entre as quais a malária.

Até 2015, a ONU integra o tema dos recursos hídricos nos seus Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (Millennium Develompent Goals). A intenção do organismo é assegurar a sustentabilidade ambiental através da integração dos princípios de desenvolvimento sustentável nas políticas e nos programas de cada país, bem como inverter a tendência de perda de recursos ambientais e de biodiversidade.

Exposição fotográfica

Para comemorar a data, a Agência Nacional de Águas vai expor 48 fotos das doze regiões hidrográficas brasileiras no Salão Branco do Congresso Nacional. A exposição abre nesta segunda-feira, às 17h30, e se encerra no dia 29. Participam da abertura da exposição o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu; o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal, senador Renato Casagrande (PSB-ES), e a presidente da Subcomissão Permanente da Água, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS).

As fotos das doze regiões hidrográficas brasileiras que serão apresentadas foram produzidas no âmbito da publicação “ANA: Ano 10”. O trabalho retrata a importância e beleza do extraordinário acervo hídrico brasileiro, captado pelos impressionantes registros fotográficos de Ricardo Zig Koch Cavalcanti, Rui Faquini e Bento Viana.

Fonte: Agência Amazônia de Notícias - 21/03/2010

Texto:Fonte: Agência Amazônia de Notícias