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ANA fará licitação para estudar o aquífero Alter do Chão, no Pará

por Fonte: Assessoria de Imprensa da Liderança do PT no Senado publicado 28/04/2010 00h00, última modificação 14/03/2019 16h41
A Agência Nacional de Águas (ANA) já está preparando o termo de referência que dará as bases para uma licitação internacional destinada a contratar grupos interessados em estudar detalhadamente a existência do que pode ser a maior reserva de água potável subterrânea do planeta. O aqüífero Alter do Chão fica em Santarém, no Pará, numa área de 500 quilômetros quadrados.
A Agência Nacional de Águas (ANA) já está preparando o termo de referência que dará as bases para uma licitação internacional destinada a contratar grupos interessados em estudar detalhadamente a existência do que pode ser a maior reserva de água potável subterrânea do planeta. O aqüífero Alter do Chão fica em Santarém, no Pará, numa área de 500 quilômetros quadrados. A informação, exclusiva, foi dada nesta quarta-feira (28/04) ao site da Liderança do PT no Senado pelo gerente de Água Subterrâneas da agência, Fernando Roberto de Oliveira."A ANA deverá licitar um estudo hidrogeológico de toda a bacia sedimentar amazônica, abrangendo o aqüífero Alter do Chão", diz.
 
Segundo Fernando Oliveira, sabe-se muito pouco desse aqüífero que foi descoberto na década de 60, quando a Petrobras promoveu testes para detectar possíveis reservas de gás nas rochas sedimentares ao longo do rio Amazonas. Ao contrário do que se esperava, as rochas continham reservas consideráveis de água, o que foi confirmado recentemente por uma pesquisa feita por professores da Faculdade de Geologia das Universidades Federais do Pará (UFPA) e do Ceará (UFC).
 
Coordenada pelos professores Francisco Matos de Abreu, André Montenegro Duarte, Mário Ramos Ribeiro, Milton Matta (UFPA) e Itabaraci Cavalcante (UPC), a pesquisa divulgada aponta uma reserva de água subterrânea de 85 mil quilômetros cúbicos – água suficiente para acabar com a sede na África e abastecer a população de 7 bilhões de habitantes do planeta. Os pesquisadores fizeram levantamento de vazão e agora esperam obter financiamento entre R$ 300 e R$ 500 mil para sistematizar as informações geológicas secundárias da área específica. Também serão necessários US$ 5 milhões, nos próximos quatro anos, para os estudos de vazão hídrica, geologia e sensoriamento remoto para analisar as zonas de cargas e recargas de água.
 
Parcerias
 
Fernando Oliveira explica que o Banco Mundial foi parceiro do estudo feito no aqüífero Guarani, localizado na bacia sedimentar que se estende do Mato Grosso ao Rio Grande do Sul e segue em direção ao Paraguai, Argentina e Uruguai. Nesse estudo, foram investidos US$ 26,5 milhões. Os estados ofereceram uma contrapartida, já que são os responsáveis pelas reservas de águas subterrâneas, conforme a Lei Nacional de Recursos Hídricos nº 9433/97.
 
Até agora, o aqüífero Guarani, considerado o maior do mundo, detém reservas de 29 mil quilômetros cúbicos de água subterrânea e as reservas de água do aqüífero Alter do Chão podem ser comparadas as de petróleo da área do pré-sal, descoberta pela Petrobras ao longo da costa brasileira. Um pré-sal de água.
 
O professor Milton Matta (UFPA) observa que a extensão superficial do aqüífero Guarani é maior do que a de Alter do Chão, mas nesse caso as suas espessuras são maiores - o que significa a existência de um volume maior de água. Além disso, a pesquisa constatou que os parâmetros hidrodinâmicos, que medem a capacidade de armazenamento de água e a retirada por bombeamento, são melhores do que Guarani. "Os tipos de rocha do aqüífero indicam baixa profundidade e não há rochas basálticas que dificultam a perfuração dos poços como em Guarani", explica.
 
Maior responsabilidade
 
O professor Milton Matta afirma que a descoberta do maior aqüífero do mundo aumenta a responsabilidade da Amazônia e seu protagonismo. No entanto, como a região detém a maior floresta tropical do mundo, além do maior depósito mineral e da maior biodiversidade, estudar a capacidade de gerar mais água numa área que já é considerada o maior reservatório de água doce do planeta é um desafio por falta de recursos.
 
"Temos a certeza que a água desse aqüífero pode abastecer todo o País e a população mundial por algumas centenas de anos. Nossa preocupação neste momento é obter financiamento para avançar nas pesquisas e estabelecer os critérios para a utilização desse manancial", salienta.
Matta observa que a região amazônica possui 68% das reservas de água doce do País e uma concentração populacional de 6% do total de habitantes, enquanto que na região Sudeste a população equivale a 46% do total de habitantes e detém 4% das reservas de água doce. Isso é um problema para o longo prazo.
 
Na Grande São Paulo, como já alertou o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), o abastecimento está no limite e já se importa água de outros municípios. Segundo a ANA, o número redondo de consumo na Grande São Paulo é de 50 metros cúbicos por segundo e a reposição corresponde a 10 metros cúbicos por segundo. Portanto, há defasagem entre a carga e a recarga.
 
No ano passado, quando o então ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) Mangabeira Unger disse que seria possível construir aquadutos para levar água da Amazônia às regiões do semi-árido e para a região Sudeste, a informação foi criticada, mas o professor Matta diz que essa alternativa não é algo impossível. "Seria importante criar royalties de compensação pela preservação da qualidade da água para os estados produtores e onde se encontram as reservas subterrâneas", avalia.
 
Fernando Oliveira diz que os estudos dos pesquisadores serão utilizados para orientar o trabalho maior que será licitado pela agência. "Dependerá do orçamento. Quanto maior for, mais detalhado será o estudo do aqüífero Alter do Chão", destaca.
 

Alter do Chão em números:
 
Área de 500 quilômetros quadrados entre o Pará e o Amazonas
 
86,4 milhões de quilômetros cúbicos de água
 
Um quilômetro cúbico corresponde a um milhão ao cubo
 
Mais de 86,4 trilhões de litros de água
 
Uma pessoa gasta 200 litros de água por dia
 
Um barril de petróleo tem 159 litros e custa, em média, US$ 50,00
 
Equivale a oito galões de vinte litros de água
 
Cada galão de água custa, em média, R$ 6,00
R$ 0,30 é o valor de cada litro
 
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Texto:Fonte: Assessoria de Imprensa da Liderança do PT no Senado