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Água mata mais que guerras

por Fonte: Diário do Nordeste publicado 23/03/2010 00h00, última modificação 14/03/2019 16h40
o consumo e o uso de água não tratada e poluída matam mais do que todas as formas de violência, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado ontem, Dia Mundial da Água, em Nairóbi, no Quênia, na África. O documento, intitulado Água Doente, foi elaborado pelo Programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês).
Relatório da ONU afirma que mais pessoas morrem pelo consumo de água contaminada do que por violência

Nairóbi, Quênia - O consumo e o uso de água não tratada e poluída matam mais do que todas as formas de violência, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado ontem, Dia Mundial da Água, em Nairóbi, no Quênia, na África. O documento, intitulado Água Doente, foi elaborado pelo Programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês).
"A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras", afirma o relatório.

O Unep ressalta ainda que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas "zonas mortas", sufocando recifes de corais e peixes. O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.

A falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90% da água de esgoto sem tratamento.
A diarreia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e "mais de metade dos leitos de hospital no mundo é cupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada".

O Unep recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto e também sugere a proteção de áreas de terras úmidas, que agem como processadores naturais do esgoto, e o uso de dejetos animais como fertilizantes.

"Se o mundo pretende sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto", afirmou o diretor da Unep, Achim Steiner. "O esgoto está literalmente matando
pessoas", acrescentou Steiner.

Realidade brasileira

No Brasil, mais de 17 milhões de pessoas não têm acesso à água potável. Apesar disso, o principal desafio do País é a qualidade e não a quantidade, avalia o diretor da Agência Nacional De Águas (ANA), Paulo Varella. "A questão da quantidade tem sido mais bem enfrentada. Mesmo no Semiárido, hoje os problemas estão sendo resolvidos, com grandes canais, grandes açudes. No Sul e Sudeste, a questão da qualidade sempre apareceu como o grande problema e, no Nordeste, começa a preocupar. Os açudes começam a eutrofizar (quando plantas aquáticas crescem excessivamente, comprometendo o uso da água) um pouco mais, começam a ter problemas", aponta Varella.

Levantamento da ANA realizado em 2 mil pontos de monitoramento em 17 unidades da Federação revela resultado ótimo em apenas 9% dos pontos. Cerca de 70% têm Índice de Qualidade da Água (IQA) considerado bom; 14%, razoável; 5%, ruim; e 2%, péssimo. O IQA considera níveis de coliformes fecais, temperatura, resíduos e outros aspectos. Entre as áreas críticas estão a Bacia do Alto Tietê (SP), o Rio São Francisco e o Rio das Velhas (MG) e as bacias dos rios Jaguaribe, Cuiá, Cabocó e Mussure (PB).
"Água doente"

10% da população mundial consomem alimentos cultivados com águas contaminadas com compostos de nitrogênio e fósforo, que compõem um poluente residual.

17 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável, segundo a Agência Nacional De Águas (ANA), que afirma que o principal desafio do País é a qualidade e não a quantidade.
 
Texto:Fonte: Diário do Nordeste