O
aqüífero Guarani abrange área aproximada de 1,2 milhões de
quilômetros quadrados e está localizado nos territórios da
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Da área total do aqüífero,
ocorrem 71% no Brasil, 19% na Argentina, 6% no Paraguai e
4% no Uruguai. Relativamente aos territórios nacionais, estas
áreas significam, respectivamente, 19% da Argentina, 10% do
Brasil, 6% do Paraguai e 4% do Uruguai.
O
aqüífero Guarani é talvez o maior reservatório de água doce
do mundo. Além de águas, em geral, de boa qualidade, ressalta-se
o potencial energético termal dos recursos do mesmo. Esses
recursos têm sido utilizados para usos diversos como abastecimento
público, industrial, irrigação, calefação e recreação. Entretanto,
num cenário de usos crescentes, os diversos países identificam
a necessidade de um arcabouço mais adequado à gestão sustentável
desses recursos.
Essa
necessidade levou os Governos dos Países a buscarem apoio
junto ao Global Environment Facility (GEF), ou o Fundo
para o Meio Ambiente Mundial (FMAM), para prepararem o Projeto
de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema
Aqüífero Guarani. O apoio foi concretizado por intermédio
do Banco Mundial, como agência implementadora dos recursos,
e da Organização dos Estados Americanos (OEA), como agência
executora internacional.
2.
OBJETIVO
O
objetivo do projeto é apoiar a Argentina, Brasil, Paraguai
e Uruguai na elaboração e implementação coordenada de uma
proposta de modelo institucional, legal e técnico comum para
a preservação e o gerenciamento do Sistema Aqüífero Guarani
- SAG para as gerações atuais e futuras.
3.
HISTÓRICO
A
reunião de Foz do Iguaçu, realizada em janeiro de 2000, com
recursos do Governo brasileiro, através da Secretaria de Recursos
Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (SRH/MMA), foi o marco
inicial no qual os Governos da Argentina, Brasil, Paraguai
e Uruguai aprovaram o documento conceitual do Projeto.
Para
a coordenação do processo de preparação no Brasil, foi constituída
em abril de 2000, a Unidade Nacional de Preparação do Projeto,
com participação de organismos da sociedade civil e dos Governos
Federal e Estaduais envolvidos. Como instância máxima do projeto,
foi constituído pelos governos nacionais envolvidos, o Conselho
Superior de Preparação do Projeto, com representação das áreas
de recursos hídricos, meio ambiente e relações exteriores.
Com
recursos de doação do GEF/FMAM, a fase de preparação do projeto
definiu as bases dos Termos de Referência que levarão ao cumprimento
dos objetivos acordados entre os países.
O
projeto foi aprovado pelo Governo brasileiro, por intermédio
da Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério do
Planejamento (SEAIN/MP), em setembro de 2001. O Conselho e
o Chief Executive Officer do GEF/FMAM aprovaram o projeto
em, respectivamente, dezembro de 2001 e maio de 2002. O Board
do Banco Mundial, finalmente, aprovou o projeto em junho de
2002 e, em julho do mesmo ano, assinou acordo (GEF Trust
Fund Grant TF050950) para execução do projeto regional
com a Organização dos Estados Americanos.
No
presente momento, as agências executoras nacionais, as instituições
de cooperação dos países envolvidos e a OEA estão em fase
de assinatura dos acordos bilaterais. No Brasil, a Agência
Nacional de Águas (ANA) e a Agência Brasileira de Cooperação
do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) estão finalizando
a redação de um Termo de Cooperação Técnica a ser assinado
com a OEA, que permitirá o início efetivo do projeto.
4.
RESULTADOS
O
resultado final geral do projeto é possibilitar que os quatro
países disponham de um modelo de gestão para o SAG, através
de um Programa de Ações Estratégicas - PAE, incluindo aspectos
técnicos, científicos, institucionais, financeiros e legais
para a sua proteção e uso sustentável.
São
esperados os seguintes resultados específicos:
O
desenvolvimento conjunto e a instrumentalização de um marco
de gestão para o SAG constitui o núcleo do Projeto. Os demais
componentes estão desenhados para prover a base científica,
técnica, social, legal, institucional, financeira e econômica
necessária ao desenvolvimento desse marco. Os sete componentes
estão descritos, resumidamente, a seguir:
Componente
1: Expansão e consolidação da base atual do conhecimento
científico e técnico do SAG: O Componente 1 deverá proporcionar
uma base científica e técnica sólida para a identificação
das questões transfronteiriças prioritárias e das atividades
estratégicas de saneamento associadas à proteção do Sistema
Aqüífero Guarani. É a base para a identificação de um marco
adequado de gestão coordenada.
Está
estruturado com base em dois Subcomponentes:
(1a)
Estudos para a consolidação e expansão da base de conhecimento
científico;
(1b)
Avaliação técnica e socioeconômica dos cenários de uso atual
e futuro do Sistema Aqüífero
Guarani.
Componente
2: Desenvolvimento e Instrumentação Conjunta de um Marco
de Gestão para o Sistema Aqüífero Guarani: O Componente 2
é o ponto central do projeto e estabelece um marco técnico,
institucional, financeiro e jurídico, acordado para a gestão
do Sistema Aqüífero Guarani. O Componente 2 inclui (i) a harmonização
e melhoria das redes de compilação e difusão de dados, (ii)
a criação de um sistema de administração de dados para o Sistema
Aqüífero Guarani, (iii) estabelecimento de acordos institucionais
conjuntos para a gestão do Sistema Aqüífero Guarani e (iv)
formulação de ações estratégicas que levem a integração e
otimização das iniciativas e propostas de desenvolvimento
dentro da região do Sistema Aqüífero Guarani.
Está
estruturado em cinco subcomponentes:
(2a)Desenho
e instrumentação de uma rede de monitoramento do Sistema Aqüífero
Guarani;
(2b)
Desenvolvimento e integração do Sistema de Informação sobre
o Sistema Aqüífero Guarani
(SISAG);
(2c)
Formulação de um Programa de Ações Estratégicas (PAE);
(2d)
Fortalecimento Institucional;
(2e)
Análise Diagnóstica Transfronteiriça.
Componente
3: Participação Pública, Educação e Comunicação: O Componente
3 estabelece a participação prática das partes interessadas
na tomada de decisões que afetam o Sistema Aqüífero Guarani
por meio de programas educativos e informativos tanto formais
como informais. Um Fundo do Sistema Aqüífero Guarani para
a Cidadania, desenhado para participar no financiamento de
ações de organizações não-governamentais e instituições acadêmicas
é um aspecto integral desse Componente.
Está
estruturado em quatro subcomponentes:
(3a)
Preparação e implementação de planos regionais de comunicação
e participação pública;
(3b)
Fundo da Cidadania do Sistema Aqüífero Guarani;
(3c)
Criação e disseminação de instrumentos para aumentar a consciência,
o interesse e o compromisso
entre os atores interessados;
(3d)
Estabelecimento de estratégia de envolvimento dos povos indígenas.
Componente
4: Monitoramento, Avaliação e Difusão dos Resultados do
Projeto: O Componente 4 consiste em: (i) o acompanhamento
da evolução dos indicadores acordados, incluídos os do processo
relativo à águas internacionais do GEF/FMAM, sobre redução
do impacto e melhoria da qualidade ambiental - compreendendo
metas, critérios e normas, bem como a implementação de um
sistema de monitoramento e avaliação, para supervisar e avaliar
o progresso do projeto em abordar e cumprir suas metas; e
(ii) a difusão dos resultados do projeto dentro e fora da
região do Sistema Aqüífero Guarani, incluída a execução de
medidas para a consulta e coordenação entre os administradores
do projeto de águas internacionais do GEF/FMAM que operam
na região da América Latina.
Está
estruturado em dois subcomponentes:
(4a)
Desenvolvimento e instrumentação de um sistema de seguimento,
avaliação e retroalimentação
para o Projeto Guarani;
(4b)
Difusão dos resultados do projeto, dentro e fora da região.
Componente
5: Desenvolvimento de Medidas para a Gestão e Mitigação
em "áreas críticas" identificadas: O Componente
5 contempla o desenvolvimento de mecanismos e medidas para
a mitigação dos problemas atuais prioritários em quatro “áreas
críticas”: (i) duas localidades transfronteiriças identificadas
dentro da zona do Sistema Aqüífero Guarani (Argentina/Uruguai
e Uruguai/Brasil); (ii) uma zona de recarga/descarga do Sistema
Aqüífero Guarani (Paraguai); e (iii) uma zona densamente urbanizada
do Sistema Aqüífero Guarani (Brasil), apoiando as medidas
de mitigação e proteção que estão empreendendo o Governo do
Brasil e do Estado de São Paulo, dentre outros.
O
objetivo do Componente 5 é desenvolver e testar maneiras efetivas
e quantificar os custos de analisar, manejar e remediar os
impactos das ameaças conhecidas que afetam zonas representativas
específicas dentro da região do Sistema Aqüífero Guarani.
Para
tanto, foram identificadas quatro áreas críticas que levam
os nomes dos municípios onde ocorrem:
(5a)
Concórdia (Argentina) / Salto (Uruguai);
(5b)
Rivera (Uruguai) / Santana do Livramento (Brasil);
(5c)
Encarnación – Cuidad do Este – Caaguazú (Paraguai);
(5d)
Ribeirão Preto (Brasil).
Componente
6: Avaliação do Potencial de Energia Geotérmica do Sistema
Aqüífero Guarani: O Componente 6 vai avaliar o potencial de
usos futuros da energia geotérmica do Sistema Aqüífero Guarani.
O objetivo do Componente VI é quantificar e determinar o valor
potencial do Sistema Aqüífero Guarani como fonte de geração
de energia geotérmica limpa, disseminar essa avaliação e as
diretrizes apropriadas para o aproveitamento sustentável desse
potencial para as respectivas partes interessadas, incluídos
os Ministérios de Energia da região do Sistema Aqüífero Guarani.
O
objetivo desse Componente é avaliar o potencial geotermal
do SAG em termos científicos, técnicos, econômicos, financeiros
e ambientais, junto aos ministérios pertinentes, incluindo
aos de energia. O Componente está estruturado em duas fases:
(6a)
Primeira fase – Durante o primeiro ano da execução do projeto,
serão compilados e avaliados os dados geohidrológicos existentes;
(6b)
Segunda fase – Durante o segundo ano da execução do projeto,
será criado um Grupo de Trabalho, composto por representantes
dos quatro países, apoiado por especialistas mundiais no estudo
e uso de energia geotérmica de baixa entalpia.
Componente
7: Coordenação e Administração do Projeto: O objetivo
desse Componente é proporcionar apoio na organização e administração
do projeto. Inclui as atividades que serão realizadas pela
Secretaria-Geral do Projeto e as atividades operativas das
unidades de coordenação e execução nos respectivos países.
5.2.
Custos
O
valor total do Projeto é de US$ 26.760.000,00 (vinte e seis
milhões e setecentos e sessenta mil dólares). O valor da contribuição
do FMAM é de US$ 13.400.000,00 (treze milhões e quatrocentos
mil dólares) e a de outros co-financiadores é de US$ 1.368.000,00
(um milhão, trezentos e sessenta e oito mil dólares). A contrapartida
dos Países Beneficiários corresponde a US$ 11.992.000,00 (onze
milhões, novecentos e noventa e dois mil dólares). A
contrapartida total nacional eqüivale a US$ 6.622.100,00 (seis
milhões e seiscentos e vinte e dois mil e cem dólares), em
recursos de caráter não-financeiro.
Os
custos de cada um dos componentes estão apresentados nas Tabelas
1 e 2, a seguir.
Tabela
1: Custos e fontes de financiamento do Projeto Guarani
| Componentes |
Custos
indicativos
(US$M) |
%
do total |
Financi-amento
GEF
(US$M) |
%
do financia-mento do GEF |
| 1)
Expansão e consolidação da base atual do conhecimento
científico e técnico do SAG
2)
Desenvolvimento e instrumentação conjunta de um
marco de gestão para o SAG
3)
Fomento à participação pública de atores interessados,
comunicação social e educação ambiental
4)
Avaliação e seguimento do Projeto e disseminação
de seus resultados
5)
Desenvolvimento de medidas para a gestão das águas
subterrâneas em áreas críticas (“hot spots”)
6)
Consideração do potencial para a utilização de energia
geotérmica “limpa” do SAG
7)
Coordenação e gerenciamento do Projeto |
9,91
7,01
1,31
0,48
3,73
0,28
4,04 |
37,0
26,2
4,9
1,8
13,9
1,0
15,1 |
4,57
3,49
0,77
0,26
2,31
0,20
1,80 |
34,41
26,0
5,7
1,9
17,2
1,5
13,4 |
| Custos
totais do projeto |
26,76 |
100,0
|
13,40 |
100,0 |
Tabela 2: Recursos de Co-financiamento
| Detalhe
dos Recursos de Co-financiamento e outros |
Componentes
(US$M) |
| |
1 |
2 |
3 |
4 |
5 |
6 |
7 |
Total |
| Proporcionado
pelos governos dos quatro países participantes |
4,87 |
3,40 |
0,49 |
0,22 |
1,01 |
0,08 |
1,92 |
11,99 |
| Proporcionado
pela AIEA* |
0,30 |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
0,30 |
| Co-financiamento
proporcionado pela BGR** |
0,14 |
0,05 |
- |
- |
0,41 |
- |
- |
0,60 |
| Proporcionado
pelo Programa do Banco Mundial e o Governo Holandês |
0,03 |
0,07 |
- |
- |
- |
- |
- |
0,1 |
| Proporcionado
pela OEA |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
0,32 |
0,32 |
| Proporcionado
pelos beneficiários do Fundo da Cidadania |
- |
- |
0,05 |
- |
- |
- |
- |
0,05 |
| Co-financiamento
total |
5,34 |
3,52 |
0,54 |
0,22 |
1,42 |
0,08 |
2,24 |
13,36 |
*O
co-financiamento proporcionado pela Agência Internacional
de Energia Atômica (AIEA) considera US$300.000 em uma primeira
etapa de dois anos, porém há previsão de outros US$300.000
adicionais para a segunda etapa.
**O
co-financiamento proporcionado pela BGR (Serviço Geológico
da Alemanha) já está confirmado. Porém, a finalização da contribuição
depende da assinatura de acordo entre o Governo do Paraguai
e a BGR.
6.
BENEFÍCIOS
As
principais reformas políticas e institucionais buscadas especificamente
no âmbito do Sistema Aqüífero Guarani são: (i) reconhecimento
do Sistema Aqüífero Guarani como portador de recursos transfronteiriços
valiosos; (ii) criação de um modelo para a gestão coordenada
do Sistema Aqüífero Guarani, que inclua arranjos jurídicos
e institucionais conjuntos, além do intercâmbio de dados.
O projeto proposto contribuirá ao avanço de políticas relacionadas
com as águas subterrâneas transfronteiriças nos quatro países,
especialmente considerando a atual carência de um marco jurídico
e institucional transfronteiriço e marcos jurídicos institucionais
e nacionais para águas subterrâneas, os quais ora inexistem,
ora são distintos. Especificamente, o projeto elaborará um
Programa de Ações Estratégicas que abarcará, entre outros,
um modelo institucional específico para a gestão do Sistema
Aqüífero Guarani, que incida sobre as leis de águas subterrâneas
a nível nacional; em última instancia a nível provincial ou
estadual, onde seja aplicável nos países participantes, fomentando
uma melhoria na gestão das águas subterrâneas em geral. Para
a elaboração desse modelo institucional serão levadas em conta
as características particulares da organização política e
institucional dos quatro países.
Aproximadamente
15 milhões de pessoas vivem na região do Sistema Aqüífero
Guarani. Apesar de nem todas serem abastecidas diretamente
com águas do aqüífero, se antecipa um aumento do número de
usuários desse recurso como resultado do crescimento demográfico
e maior consumo industrial e agrícola. Esta tendência aumentará
como resultado da crescente contaminação das águas superficiais,
fato que, apesar dos esforços dos países em solucionar essa
situação, faz com que as fontes do Sistema Aqüífero Guarani
sejam mais atrativas. Portanto, os beneficiários finais são
as comunidades e gerações atuais e futuras que se encontram
dentro da região do Sistema Aqüífero Guarani, nos quatro países.
No
longo prazo, os benefícios previstos são os seguintes: (i)
abastecimento sustentável de água potável para a população;
(ii) água de alta qualidade para a indústria; (iii) abastecimento
sustentável de água termal para turismo, indústria e municípios;
e (iv) menores possibilidades de conflito devido ao uso das
águas do Sistema Aqüífero Guarani nas zonas transfronteiriças.
A
curto e meio prazo, os participantes na gestão do Sistema
Aqüífero Guarani são considerados beneficiários. Através de
programas de capacitação e de educação, sua capacidade para
contribuir na gestão sustentável do Sistema Aqüífero Guarani
aumentará consideravelmente. O projeto está desenhado de maneira
que a experiência gerada seja integrada na base de conhecimentos
técnicos dos quatro países.
Os
efeitos globais de uma melhoria na gestão do Sistema Aqüífero
Guarani estão relacionados com a gestão e o desenvolvimento
sustentável integrado desse recurso transfronteiriço. Na ausência
desse projeto financiado pelo GEF/FMAM, provavelmente os países
teriam dificuldades em tomar medidas para proteger os recursos
hídricos transfronteiriços do Sistema. Os países continuariam
utilizando os recursos hídricos em níveis nacional e subnacional
até o surgimento de uma crise - momento no qual a reversão
dos efeitos negativos seria complexa e cara. As ações a serem
empreendidas pelos quatro países em forma conjunta nesta etapa
aportarão consideráveis benefícios (transfronteiriços) globais,
mediante controle eficaz da contaminação e da sobreutilizacao,
especialmente nas zonas de recarga e descarga, e uma melhor
administração do uso e ocupação do solo, incluindo, por exemplo,
o controle da erosão. Neste sentido, o estabelecimento de
medidas específicas de gestão e mitigação (através dos projetos-piloto
localizados), aportará benefícios globais assim como em avanços
para os objetivos específicos, constituindo um resultado importante
desse projeto.
A
meta principal do projeto é o estabelecimento de um modelo
conjunto entre os quatro países para a gestão do Sistema Aqüífero
Guarani, objetivo cujo alcance permitiria uma série de benefícios.
De igual forma, outros benefícios serão obtidos através da
execução das atividades de todos os componentes do projeto.
Estes benefícios serão válidos independentemente do consenso
em torno de um acordo entre os quatro países e estarão relacionados
com o fortalecimento e a participação das entidades subnacionais,
incluindo as entidades dos estados/províncias, as empresas
de abastecimento de água, instituições acadêmicas e de pesquisa
e organizações não-governamentais, na execução do projeto.
Sua participação assegurará que o aqüífero seja gerenciado
de forma descentralizada e sustentável uma vez concluído o
projeto. Isso inclui especificamente as províncias da Argentina,
as quais tem a responsabilidade jurídica da gestão dos recursos
hídricos, e os oito estados envolvidos no Brasil.
Especificamente,
as Componentes 1, 3, 5 e 6 produzirão benefícios imediatos
neste sentido e seus resultados podem ser utilizados pelos
países, suas entidades subnacionais e as partes interessadas
na gestão das águas nacionais e transfronteiriças, independentemente
do acordo oficial. Este fato tem uma importância particular
porque um acordo oficial depende dos processos legislativos
soberanos em cada país, os quais não podem facilmente ser
programados para que coincidam com a conclusão do projeto.
Neste contexto, será importante, entretanto, que o Programa
de Ações Estratégicas (PAE) seja realista e viável e tenha
a cara finalidade de avançar mesmo no caso de que leve tempo
para concretizar a formalização de um modelo de gestão coordenada.
7.
ARRANJOS INSTITUCIONAIS
Dado
o caráter multinacional do projeto proposto, durante a sua
preparação serão discutidos, em detalhe, os arranjos institucionais
e de implementação. Considerando que o projeto tem por objetivo
impulsionar mudanças institucionais significativas – partindo-se
de uma carência atual de uma gestão coordenada do Sistema
Guarani em direção a uma gestão sustentável a longo prazo
– os futuros desenvolvimentos institucionais que se formularão
como componente desse projeto são elementos fundamentais que
determinarão seu êxito a longo prazo. Todas as atividades
propostas serão conduzidas por um Comitê Diretivo (CSDP: Conselho
Superior de Direção do Projeto), enquanto que a coordenação
dos aspectos técnicos do projeto será responsabilidade de
um Conselho de Coordenação (CC: Coordenação Colegiada). As
atividades diárias do projeto serão administradas pela Secretaria-Geral
(SG: Secretaria Geral do Projeto Sistema Aqüífero Guarani)
conjuntamente com a OEA e sob supervisão de Coordenação Colegiada.
As atividades em cada país serão conduzidas pelas unidades
executoras nacionais do projeto (UNEP: Unidade Nacional para
a Execução do Projeto), cujos coordenadores (os quatro Coordenadores
Técnicos Nacionais) formarão a Coordenação Colegiada.
LISTA
DE SIGLAS UTILIZADAS
ABC
– Agência Brasileira de Cooperação
ADT – Análise Diagnóstica Transfronteiriça
AIEA – Agência Internacional de Energia Atômica
ANA – Agência Nacional de Águas
BGR – Serviço Geológico da Alemanha
CSDP – Conselho Superior de Direção do Projeto (fase de execução)
CSPP – Conselho Superior de Preparação do Projeto (fase de
preparação)
CC – Coordenação Colegiada
CN – Coordenador Nacional
FMMA – Fundo para o Meio Ambiente Mundial (tradução da sigla
GEF para o Português)
GEF – Global Environment Facility
OEA – Organização dos Estados Americanos
MMA – Ministério do Meio Ambiente
MP – Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
MRE – Ministério das Relações Exteriores
PAE – Programa de Ações Estratégicas
SAG – Sistema Aqüífero Guarani
SEAIN – Secretaria de Assuntos Internacionais (MP)
SISAG – Sistema de Informação sobre o Sistema Aqüífero Guarani
SRH – Secretaria de Recursos Hídricos (MMA)
UNPP – Unidade Nacional de Preparação do Projeto (fase de
preparação)
UNEP – Unidade Nacional de Execução do Projeto (fase de execução)
Principais
Impactos Diretos e Indiretos
da Fase de Preparação do Projeto no Brasil
Avanços Técnicos
- Levantamento
dos estudos técnicos disponíveis: Listagem de 166 artigos
publicados (Unidade Nacional de Preparação do Projeto-UNPP/Brasil);
- Elaboração
dos informes técnicos dos consultores contratados;
- Realização
de 5 seminários nacionais (UNPP/Brasil) e reuniões de coordenadores
estaduais e representantes de órgãos do Governo Federal;
- Realização
de fóruns estaduais das Unidades Estaduais de Preparação
do Projeto
- UEPPs;
- Elaboração
do Mapa Esquemático do Sistema Aqüífero Guarani e sua aprovação
pelo Conselho Superior de Preparação do Projeto - CSPP.
Avanços Institucionais
- Levantamento
da capacidade institucional: 177 instituições no Brasil
(UNPP/BR-CAS/SRH/MMA);
- Execução
dos PDFs inicial e complementar e elaboração do Project
Brief Document;
- Consolidação
do CSPP: 5 reuniões e 5 video-conferências;
- Consolidação
das UNPPs: 5 reuniões da UNPP/Brasil e UEPPs;
- Constituição
da Câmara Técnica Permanente de Águas Subterrâneas do Conselho
Nacional de Recursos Hídricos, junho de 2000;
- Elaboração
de minuta de Documento Diplomático inicial (CSPP);
- Elaboração
de página experimental do Projeto na Internet para
divulgação e gerenciamento do projeto (UNPP/Brasil);
- Lançamento
do Programa de Águas Subterrâneas (ANA/SRH/MMA).
Avanços Legais
- Levantamento
de legislação referente às águas subterrâneas: 86 federais
e 37 estaduais (UNPP/Brasil);
- Apoio
aos Estados para o tratamento das águas subterrâneas nas
Políticas Estaduais de Recursos Hídricos;
- Aprovação
de leis estaduais no período: MG, PR e DF;
- Aprovação
da Resolução CNRH n.º 15: diretrizes para a gestão sistêmica
e integrada das águas;
- Resolução
CNRH/CTAS sobre São Lourenço – MG e poços jorrantes do Gurguéia
– PI;
- Aprovação
da Resolução CNRH n.º 22: diretrizes para a inserção das
águas subterrâneas no instrumento Planos de Recursos
Hídricos, da Política Nacional de Recursos Hídricos.
Avanços na Participação
-
ONGs: 2 eventos (Garopaba-SC e Caxambu-MG);
- Etnias
indígenas: reuniões com lideranças indígenas e administradores
regionais da Fundação Nacional do Índio-FUNAI da área
do aqüífero;
- Setor
empresarial: mobilização de 63 entidades setoriais e reunião
com 32 representantes;
- Seminários
Internacionais das UNPPs: 4 (Foz do Iguaçu, Santa Fé, Asunción
e Salto) e reuniões dos coordenadores nacionais;
- Divulgação
do Projeto em eventos nacionais e internacionais diversos.