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Interface com os Setores Usuários
"A
gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar
o uso múltiplo das águas." A afirmação
está na Lei 9.433, de 08 de janeiro de 1997, artigo 1º,
que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos,
entre outros aspectos. Tendo esse enunciado como um dos seus fundamentos,
a gestão dos recursos hídricos tem se utilizado da
implantação de reservatórios como uma importante
ferramenta para o atendimento dos usos múltiplos das águas.
No entanto, devido ao alto crescimento da demanda de energia elétrica
e da água destinada ao abastecimento público, industrial
e agrícola, o uso múltiplo das águas provocou
o surgimento de conflitos que envolvem aspectos ambientais e operacionais,
independentemente da finalidade principal do reservatório.
Quanto
à interface com os setores usuários dos recursos hídricos,
a ANA, por meio Superintendência de Usos Múltiplos
(SUM), vem desenvolvendo as seguintes atividades:
- Usos múltiplos e a interface
com o Setor Elétrico;
- Alocação negociada de água - bacia do rio
Verde Grande (Barragem Bico da Pedra);
- Sistema de suporte à decisão para a bacia do rio
Paraíba do Sul;
- Projeto de gerenciamento integrado das atividades desenvolvidas
em terra na bacia do São Francisco - ANA/GEF/PNUMA/OEA. Subprojeto
4.4 - Determinação de Subsídios para Procedimentos
Operacionais dos Principais Reservatórios da Bacia do São
Francisco;
- Estimativa das retiradas de água para usos consuntivos
na bacia do rio São Francisco;
- Sistema generalizado para simulação do balanço
hídrico e alocação das águas da bacia
do rio São Francisco;
- Monitoramento dos reservatórios do Nordeste do Brasil.

Usos Múltiplos
e a Interface com o Setor Elétrico
Na
interface com o Setor Elétrico, as ações da
Superintendência de Usos Múltiplos (SUM) foram desenvolvidas
tendo como foco a expansão da oferta de energia e a operação
dos reservatórios, com garantia do uso múltiplo dos
recursos hídricos, com o mínimo de prejuízo
para a sociedade. Com esse objetivo, a SUM participou de vários
:
. Grupo de Trabalho (GT) para Avaliação
da Metodologia Atual de Cálculo das Energias Asseguradas;
. GT 11 - Revisão dos Certificados de Energia Assegurada;
. GT 28 - Mecanismo de Realocação de Energia - MRE;
. GT 01 - Aperfeiçoamento do Despacho e Formação
de Preços;
. GT 02 - Implementação da oferta de preços;
. GT 04 - Sinais de Alerta;
. GT 05 - Expansão da geração de energia elétrica;
. Assessoria Técnica do Conselho Nacional de Política
Energética - CNPE;
. Comitê Técnico de Planejamento do Suprimento de Energia
Elétrica do CNPE;
. Comitê Técnico de Meio Ambiente do CNPE;
. GT Reservatórios, da Câmara Técnica de Integração
de Procedimentos de Outorga e Ações Reguladoras -
CTPOAR, do Conselho Nacional de Recursos Hídricos - CNRH;
. GT para proposta do Sistema Nacional de Informações
Energéticas - SNIE;
. Comissão para Consolidação de Balanços
Energéticos;
. Comissão para revisão e atualização
das séries de vazões naturais.
Na
interface com o Setor Elétrico, a SUM também elaborou:
- Minuta de resolução ANA que dispõe sobre
os procedimentos referentes à emissão de declaração
de reserva de disponibilidade hídrica e outorga de direito
de uso para fins de licitação e de autorização
da exploração de potencial hidráulico, e
para outorga de direito de uso para os aproveitamentos dos potenciais
hidráulicos iguais ou inferiores a 1 MW;
- Manual de Procedimentos para Análise dos Pedidos de
Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica
e Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos para Aproveitamentos
Hidrelétricos;
- Minuta de resolução CNPE, que define que todos
os aproveitamentos a serem licitados ou autorizados pela ANEEL
que deverão dispor da LP;
- Banco de dados em MS-Access, com todas as restrições
operacionais dos reservatórios integrantes do Sistema Interligado
Nacional - SIN, para facilitar futuras negociações
de novas regras operacionais; e
- Estimativa da área irrigada de bacias de drenagem dos
principais reservatórios integrantes do Sistema Interligado
Nacional - SIN, com base nos dados do Censo Agropecuário
do IBGE de 1995.
Alocação
Negociada de Água - Bacia do Rio Verde Grande (Barragem Bico
da Pedra)
Os
constantes conflitos pelo uso da água e a constatação
de que os critérios técnicos e procedimentos utilizados
na concessão de outorgas para a bacia do rio Verde Grande
precisavam ser revistos, levaram o Ministério do Meio Ambiente
a suspender a liberação de outorgas para a irrigação
em toda esta bacia em dezembro de 1996, através da Portaria
nº 396. A expectativa era retomar o processo, a partir das
orientações que deveriam vir do Plano Diretor de Recursos
Hídricos da Bacia, que estava se iniciando, com prazo de
execução estimado em dois anos. Aliado a tal fato,
fez-se ainda premente a implementação de processos
de gestão de recursos hídricos, especialmente no tocante
dos instrumentos legais protagonizados pela Lei 9.433/97 e a criação
de estruturas gestoras como o Comitê de Bacia.
Com este intuito e imbuído da necessidade de iniciar, no
campo prático, ações de gerenciamento dos recursos
hídricos, visando a administrar conflitos e a propor soluções
técnicas prezando a efetiva participação de
usuários de água e organizações que
atuam na bacia, foi implementado, na região de influência
do reservatório Bico da Pedra, locado na calha do rio Gorutuba,
no município de Janaúba (MG), o projeto denominado
"Alocação Negociada de Água". Em
síntese, este projeto busca democratizar a distribuição
das águas armazenadas através da constituição
de Comissão Ampla envolvendo usuários de água
e poder público.
A Superintendência de Usos Múltiplos (SUM) e o Escritório
Técnico da Bacia do Verde Grande, em sintonia com os órgãos
gestores estaduais e demais organizações públicas,
buscaram subsidiar as discussões com dados técnicos
advindos de estudos aprofundados sobre a dinâmica hídrica
da barragem, apontando várias alternativas e seus respectivos
riscos, que poderão ser assumidos ou não pelos usuários
representados na Comissão.
A SUM elaborou um sistema de suporte à decisão, desenvolvido
no ambiente AcquaNet, para simulações e modelagens
do reservatório Bico da Pedra. Os manuais do programa Acquanet,
bem como a sua descrição detalhada, estão disponíveis
na página da USP - Universidade de São Paulo, no endereço
eletrônico .
O Escritório
Técnico da Bacia do Rio Verde Grande realizou cadastramento
de usuários de água da calha do rio Gorutuba, a jusante
da barragem e no entorno do reservatório e a SUM também
recomendou a implantação de postos de medição
e controle de vazão e precipitação na bacia.
Foi efetuado,
de abril a dezembro de 2002, o acompanhamento dos volumes dos referidos
reservatórios, assim como a comparação com
os valores previstos pela modelagem. Além disso, a SUM supervisionava
o cumprimento das regras operacionais do reservatório Bico
da Pedra e repassava as informações para o pessoal
local.
Sistema de Suporte
à Decisão para a Bacia do Rio Paraíba do Sul
A
exemplo do que foi feito para a bacia do rio Verde Grande, foi desenvolvido,
no ambiente AcquaNet, um sistema de suporte à decisão
para a operação dos reservatórios da bacia
do rio Paraíba do Sul ().
O
Sistema permite a simulação dos principais usos da
água na bacia, a saber: o abastecimento de água, a
diluição de despejos domésticos, industriais
e agrícolas, a irrigação e a geração
de energia elétrica, bem como as restrições
operacionais de bombeamento para fins energéticos e de diluição
de efluentes, que competem com usos como a irrigação
e o abastecimento. Tal sistema foi apresentado e disponibilizado
ao CEIVAP-Comitê para Integração da Bacia Hidrográfica
do Rio Paraíba do Sul para servir de instrumento à
gestão dos usos múltiplos na bacia do rio Paraíba
do Sul.
Os
manuais do programa Acquanet, bem como a sua descrição
detalhada, estão disponíveis na página da USP
- Universidade de São Paulo, no endereço eletrônico
.
Projeto de Gerenciamento
Integrado das Atividades Desenvolvidas em Terra na Bacia do São
Francisco - ANA/GEF/PNUMA/OEA - Subprojeto 4.4 - Determinação
de Subsídios para Procedimentos Operacionais dos Principais
Reservatórios da Bacia do São Francisco
O
objetivo deste trabalho, acompanhado pela Superintendência
de Usos Múltiplos (SUM), foi apresentar alternativas para
modelar a operação dos reservatórios do rio
São Francisco, considerando usos múltiplos para seus
recursos hídricos.
O
aproveitamento múltiplo dos reservatórios existentes
na bacia do São Francisco acarretará ganhos aos usuários
da água na bacia. A otimização econômica
e a exploração sustentável dos recursos hídricos
aumentarão os benefícios ao conjunto de usuários
da água, e é de interesse de todas as organizações
envolvidas no gerenciamento integrado da bacia.
O
estudo teve o objetivo estratégico de fornecer subsídios
à ANA/GEF/PNUMA/OEA e aos comitês de Bacia na alocação
de água aos diversos usos, estabelecendo com isso uma nova
abordagem de gestão integrada dos recursos hídricos.
Foi sugerida uma metodologia de análise e de determinação
de regra operativa de reservatórios, que considera adequadamente
os usos múltiplos da água num sistema hidroenergético.
O
método proposto consiste em otimizar o sistema com funções
objetivo energéticas, considerando outros usos na forma de
restrições, porém preservando a representação
em reservatórios individualizados e tratando a operação
numa escala de tempo adequada para os usos múltiplos. Com
esse tipo de abordagem é possível estimar as curvas
de troca entre os objetivos considerados conflitantes, essencialmente
geração, irrigação e controle de cheias.

Esquema da Bacia do Rio São Francisco
Estimativa das Retiradas
de Água para Usos Consultivos na Bacia do Rio São
Francisco
O
objetivo geral deste estudo consistiu em estimar, para a bacia hidrográfica
do rio São Francisco, séries de retiradas hídricas
mensais para cada sub-bacia incremental entre os aproveitamentos
hidrelétricos.
Estas
séries servem para alimentar os estudos de consistência
e reconstituição de vazões naturais. Podem,
ainda, ser incorporadas à cadeia de planejamento da expansão
e operação eletro-energética do Sistema Integrado
Nacional - SIN. Este estudo serviu ainda de piloto para a realização
futura de estudos semelhantes em todas as bacias hidrográficas
dos reservatórios do SIN.
Sistema Generalizado
para Simulação do Balanço Hídrico e
Alocação das Águas da Bacia do Rio São
Francisco
O
escopo do presente trabalho consiste em desenvolver, em conjunto
com um grupo de trabalho formado por técnicos da ANA, um
modelo simulação do balanço hídrico
e alocação da água na bacia do rio São
Francisco, levando em conta também eventuais trocas de água
com bacias vizinhas. As etapas do trabalho consistem de: (i) implementar
as redes representativas dos sistemas simulados; (ii) carregar os
dados necessários à simulação dos sistemas;
(iii) executar simulações básicas que permitam
a análise dos cenários e políticas de operação
mais importantes; (iv) produzir documentação sobre
a operação do modelo e das principais simulações
efetuadas; (v) treinar pessoal técnico da ANA para operar
e manter, de forma permanente, o modelo implementado.
O
benefício mais importante para a ANA será dispor de
um instrumento potente, extremamente flexível e amigável,
que poderá ser utilizado em caráter permanente e rotineiro
para o exercício das funções da Agência.
Ao fim do trabalho, a entidade disporá também de equipes
próprias, altamente treinadas, para operar o modelo, sem
depender de elementos externos.
Monitoramento dos
Reservatórios do Nordeste do Brasil
A
Superintendência de Usos Múltiplos (SUM) faz, mensalmente,
o acompanhamento dos volumes dos principais reservatórios
do Nordeste do Brasil, com o objetivo de identificar e antever futuros
conflitos de usos da água.
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