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A UNESCO e o Dia mundial da Água em 2006

A UNESCO coordena o tema do Dia Mundial da Água em 2006: Água e Cultura. Transcrevemos abaixo algumas idéias sobre o tema contidas no site da UNESCO.

“Levando em conta o papel fundamental que ela desempenha na vida das sociedades, a água tem uma forte dimensão cultural. Sem compreender e estudar os aspectos culturais dos problemas ligados à água, será impossível chegar a uma solução durável.”
Água e diversidade cultural, Declaração Ministerial, 3º Fórum Mundial da Água, 22 de março de 2003


"O conjunto de traços distintivos materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social, [...] ela engloba as artes e as letras, os modos de vida, as formas de vida coletiva, os sistemas de valores, as tradições e crenças."
Fonte: Declaração Universal da UNESCO sobre a diversidade cultural.


A forma como a água é usada e valorizada faz parte da identidade de cada cultura. Sem água, não há vida; sem cultura, não há identidade social.

O Dia Mundial da água é uma ocasião formidável para cada um se comprometer.

Nós construímos nossas cidades perto da água; nós nela nos banhamos, e os produtos que compramos e vendemos todos eles tem uma ligação mais ou menos direta com a água. Nossas economias são construídas sobre a força de sua corrente e os produtos que compramos e vendemos todos eles tem uma ligação mais ou menos direta com a água. Nossas vidas cotidianas têm suas raízes na água e se moldam em relação com ela. Nas últimas décadas, a água tem sido menos estimada. Ela não é mais um elemento sagrado, digno de proteção, mas um produto de consumo que nós escandalosamente negligenciamos.

O tema da água e da cultura do Dia Mundial da Água em 2006 chama nossa atenção para o fato de que existem tantas formas de perceber, de utilizar e de celebrar a água quantas forem as tradições culturais no mundo.
Sagrada, a água está no coração de numerosas religiões e é usada em diferentes ritos e cerimônias. Através dos séculos, a arte também deu a sua visão da água, cativante e efêmera, por meio da música, da pintura, da literatura e do cinema. Ela é também um fator chave em diversos campos científicos. Cada região do mundo consagra a água à sua maneira e cada uma reconhece seu valor e seu papel central na vida do homem. As tradições culturais, as práticas indígenas e os valores sociais determinam a forma como as populações percebem e gerenciam os recursos hídricos nas diferentes regiões do mundo.


Brasília, 22/03/2006

Gestão da água deve considerar as culturas

            Da Diretoria-Geral da UNESCO Em 1993,

           A Assembléia Geral das Nações Unidas designou 22 de março como o Dia Internacional da Água, uma celebração deste recurso vital. O tema selecionado do Dia Internacional da Água 2006 é ‘Água e Cultura’. Este tema é de particular importância para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que guiará as atividades que envolvem a celebração deste ano.
         O tema ‘Água e Cultura’ corresponde fortemente com a visão da UNESCO sobre gestão e governabilidade da água. Para se alcançar soluções sustentáveis que contribuam para a eqüidade, paz e desenvolvimento a gestão e governabilidade da água precisam que seja levada em conta a diversidade cultural e biológica. Por esta razão, a UNESCO acredita que a dimensão cultural dos recursos hídricos merece uma profunda análise, assim haverá um melhor entendimento de suas diversas ramificações.
        Nos tempos modernos, as abordagens sobre a gestão dos recursos hídricos tendem ser completamente voltadas à tecnologia em seu esforço de solucionar a urgente problemática mundial da água. Hoje, de acordo com o 2º Relatório das Nações Unidas Sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, 1,1 bilhão de pessoas vivem sem água potável em condições apropriadas e 2,6 bilhões não possuem acesso a saneamento básico. Catástrofes naturais relacionadas à água, tais como enchentes e secas, matam mais que qualquer outro desastre natural e doenças ligadas a este recurso continuam causando a morte de milhares de crianças todos os dias. A tecnologia por si só não nos levará a uma solução viável.
         Enquanto a ciência e a tecnologia são vitais para o entendimento do ciclo da água e faz uso desse entendimento, elas se desenvolveram em adaptação a contextos ambientais específicos e em resposta às necessidades e ambições dos povos, que são formatadas por fatores sociais e culturais. A água, de fato, tem poderosas funções culturais. Uma vez que a água está ligada a todos os aspectos da existência humana, cada comunidade criou estruturas sociais, regras e práticas para o uso deste recurso baseadas em suas visões de mundo e seus códigos de ética. Como resultado, a água é rica em significados e socialmente importante. Gerenciar a água é tanto cultural como técnico, refletindo como povos e comunidades se relacionam com a natureza. Desde os tempos pré-históricos até hoje, o relacionamento da humanidade com a água tem grande influência sobre a sustentabilidade das sociedades.
        Devido ao seu crescimento e desenvolvimento, a população humana aumentou os efeitos sobre o ciclo hidrológico, alterando a qualidade e a distribuição da água. Entretanto, a quantidade de água potável na Terra, a ser dividida entre todas as formas de vida, continua a mesma. Essa situação impõe à humanidade a responsabilidade de desenvolver, eticamente, sistemas de governabilidade dos recursos hídricos.
         Com esta finalidade, devemos compreender melhor as complexas interações entre as sociedades, a água o meio ambiente. Essas interações estão enraizadas nos processos sociais e culturais; de fato, a gestão da água necessita ser entendida como um processo cultural. Tais perspectivas sustentam e informam as grandes iniciativas e prioridades da UNESCO, notadamente aquelas que se preocupam em expandir o conhecimento sobre os recursos hídricos e os ecossistemas relacionados, em promover a diversidade cultural e reconhecer o valor dos patrimônios materiais e imateriais da humanidade, em promover a ética da ciência e da tecnologia e em ajudar a prevenir e a resolver os conflitos ligados à água.
        Há um reconhecimento crescente que, para compreender e conservar os recursos naturais como a água, é necessário entender as culturas humanas que formatam e interagem com os sistemas naturais. A este respeito, a necessidade de reconhecer e valorizar os conhecimentos tradicionais está ganhando terreno. Adotando a Declaração Universal sobre Diversidade Cultural da UNESCO, a comunidade internacional demonstrou seu comprometimento ao reconhecer a “contribuição do conhecimento tradicional, particularmente a respeito da proteção ambiental e da gestão dos recursos naturais, e a promoção da sinergia entre a ciência moderna e o conhecimento local” (Plano de Ação nº 14 da Declaração).
        O conhecimento tradicional nos alerta para o fato de que a água não é meramente um produto. Desde o surgimento da humanidade, a água tem nos inspirado, dando-nos vida espiritual, material, intelectual e emocional. Compartilhar e aplicar os ricos conteúdos de nossos sistemas de conhecimento, incluindo aqueles tradicionais e de sociedades indígenas, assim como as lições aprendidas por meio de nossa histórica interação com a água, contribuirá enormemente para que se encontre soluções para os atuais desafios da água.
        O nexo entre cultura e natureza é a avenida para um entendimento flexível, criativo e adaptável nos sistemas social e ecológico. Nessa perspectiva, o uso sustentável da água e, portanto, um futuro sustentável dependem da relação harmoniosa entre água e cultura. Conseqüentemente, é vital que a gestão e a governabilidade dos recursos hídricos levem em conta tradições culturais, práticas indígenas e valores sociais.


22 de março de 2006 - 18:26

Unesco pede enfoque cultural para gestão de recursos hídricos

Organização diz que Ciência não conseguirá resolver o problema sozinha

EFE

CIDADE DO MÉXICO - A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pediu nesta quarta-feira, Dia Mundial da Água, que seja dado um enfoque cultural à gestão dos recursos hídricos no mundo, pois, sozinha, a Ciência não conseguirá evitar os desastres naturais nem ajudará as pessoas sem acesso à água potável.

Durante o encerramento do 4º Fórum Mundial da Água, realizado na Cidade do México, a Unesco apresentou oficialmente o Segundo Informe da ONU sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo.

No Dia Mundial da Água, que em 2006 tem como tema "Água e Cultura", aconteceu o fórum que contou com a presença do diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura.

O diretor-geral disse que "a dimensão cultural" da água deve ser considerada seriamente nas decisões políticas, o que, na sua opinião, requer um exame mais profundo para a obtenção de soluções sustentáveis e igualitárias na gestão dos recursos hídricos.

Matsuura declarou que a tecnologia por si só não oferecerá soluções viáveis para os problemas da água nem solucionará o problema de 1,1 bilhão de pessoas que não têm acesso seguro à água potável, um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

A gestão da água "é uma tarefa que aprofunda dimensões tanto culturais como técnicas e reflete a relação que os indivíduos e as comunidades estabelecem com a natureza", afirmou Matsuura.

O alto funcionário da Unesco disse que os conhecimentos da tradição e das sociedades indígenas sobre a água "poderiam dar contribuições importantes para obter soluções dos problemas gerados pelos recursos hídricos".

Já o subdiretor geral de Ciências da Unesco, Walter Erdelen, seguiu a mesma linha da mensagem de Matsuura e afirmou que para cumprir as demandas de água e saneamento é necessário ver a água do ponto de vista holístico.

Erdelen apresentou um vídeo da Unesco sobre a relação de culturas de vários países com a água e garantiu que é muito importante que o desenvolvimento dos recursos hídricos seja "culturalmente sensível".

Segundo o funcionário da Unesco, a humanidade se beneficiou dos avanços tecnológicos, mas inundações, deslizamentos de terra, tsunamis e furacões demonstram a necessidade de um enfoque social e cultural para enfrentar os desastres.

Durante a sessão, algumas crianças que participaram de um Fórum infantil leram uma série de pedidos, entre eles o de multar os que contaminarem a água e utilizarem o dinheiro para criar usinas de tratamento de água.

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