A Notícia (SC)
25/11/2004
Água, gestão problemática
A Notícia (SC)
25/11/2004
Editorial
Água, gestão problemática
Apesar da disponibilidade de muitos e muitos meses para programar a transferência dos serviços da Casan para o município de Joinville, a transição das operações entre a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento e a Agência Municipal de Águas e Esgotos (Amae) enfrenta muita turbulência, graves problemas de gestão e agora a crítica dos consumidores, que se perdem no cipoal de uma burocracia lenta e ineficiente. Os pedidos de reparos se acumulam, enquanto os vazamentos se multiplicam em diferentes pontos da cidade.
Muitos são os problemas num setor em que se esperava transição tranqüila e, mais do que isso, melhoria imediata dos serviços, dada a condição pré-falimentar da Casan, que já não realizava investimentos mínimos indispensáveis no maior município catarinense. A não-renovação do contrato de concessão para a Casan justificou-se pelo não-atendimento satisfatório à população. Não é o que se vê agora, com parte da administração transferida para a recém-criada Amae, enquanto permanece com a Casan a operação do sistema, que por sua vez terceiriza vários serviços, ficando, de novo, a fiscalização por conta da nova agência municipal. Tudo certo em teoria; na prática, um desastre. O emaranhado gerencial e a multiplicidade de agentes envolvidos resultam numa gerência ainda mais ineficiente do que a anterior.
Joinville não pode adotar mecanismos primários e amadores na gestão de área tão importante e crucial, mas é o que está acontecendo, conseguindo a proeza de tornar um setor problemático e ineficiente num sistema ainda pior, para desalento e desencanto de milhares de consumidores. Os fatos recomendam rápida revisão das estruturas montadas para a administração do setor de águas do município, sob pena de, em pouco tempo, se agravarem ainda mais precárias condições atuais.
O sistema adotado de terceirização entre a Casan e empreiteiras, sem a direta intervenção dos novos gestores municipais, vem produzindo demoras em reparos urgentes de até cinco dias. O desperdício é brutal, mas para o poder público trata-se de uma imagem forte de falta de controle e de ineficiência vertical. Neste ponto, é preciso rever os procedimentos de transição, adotando novos mecanismos capazes de garantir níveis mínimos de credibilidade à nova gestão dos serviços de água.
Depois de amargar décadas de pouca atenção e baixo investimento da Casan, o que explica porque a maior cidade de Santa Catarina só dispõe de tratamento de esgoto para menos de 10% da população, Joinville teve tempo para criar estruturas adequadas e recuperar o tempo perdido. Há muito por fazer no setor, pois houve paralisação por longos anos em termos de investimentos e serviços, o que exigirá, a curto prazo, grandes aplicações. Infelizmente, não é o que se vê na prática, em que serviços já ineficientes estão se tornando ainda mais precários e vulneráveis, exigindo que se estabeleçam novos níveis de gestão de um setor essencial para a população.
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