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    USOS MÚLTIPLOS -> Prevenção de Inundações

Prevenção de Inundações

      A ocorrência de inundações em áreas urbanas e ribeirinhas no Brasil tem-se intensificado e tornado mais freqüente a cada ano. Este agravamento é função tanto da crescente impermeabilização do solo, decorrente da urbanização acelerada, como da imprevidente ocupação urbana de áreas ribeirinhas, que sempre constituíram os leitos naturais dos cursos de água. A combinação desses processos conduz a picos de vazão cada vez mais difíceis de controlar mediante intervenções estruturais tradicionais, voltadas à ampliação da capacidade de escoamento superficial. Essa dificuldade tem aumentado, sensivelmente, a potencial utilização de medidas não-estruturais, de caráter essencialmente preventivo, que implicam a necessidade de uma articulação crescente com os sistemas de gestão urbana, os quais pertencem à esfera de competência dos municípios, com exceção das regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e micro-regiões, sobre as quais se aplicam os princípios constitucionais de cooperação no exercício de funções públicas de interesse comum.

      Quanto a Prevenção de Inundações, a ANA vem desenvolvendo as seguintes atividades:

  • Implantação de sistemas de alerta contra enchentes
  • Integração com a Defesa Civil
  • Lançamento da contratação de Consultoria Técnica para Elaboração do Programa de Indução à Gestão da Água no Meio Urbano e Controle de Inundações
  • Participação no Programa Associado de Controle de Inundações desenvolvido pela WMO (Organização Meteorológica Mundial)

Implantação de Sistemas de Alerta contra Enchentes

      O Sistema de Alerta é uma medida não-estrutural adotada na minimização de prejuízos causados por cheias nas bacias hidrográficas. O objetivo é prever, com relativa precisão, eventos de chuva ou aumento do nível de águas de um rio, para avisar às populações, com antecedência, que desocupem áreas sujeitas a inundações. Em geral, a defesa civil é acionada e começa a funcionar o seu Plano de Emergência. Ações como circular com veículos de som pela cidade, avisando à população que é preciso evacuar áreas de risco, colocar caminhões à disposição para retirada de móveis e objetos de valor, encaminhar pessoas para abrigos seguros, recolher alimentos e agasalhos são típicas de uma situação de emergência.

PARA SABER MAIS:

(Colocar o mapa do Brasil com as bacias. A pessoa clica na bacia e baixa o arquivo pdf com a descrição.)

Integração com a Defesa Civil

      Considerando a atribuição de planejar e promover ações destinadas a prevenir e minimizar os efeitos de secas e inundações, em articulação com a Defesa Civil, a ANA, através da Superintendência de Usos Múltiplos (SUM), tem estreitado as relações com a Secretaria Nacional de Defesa Civil (SEDEC), bem como com as Coordenações Estaduais de Defesa Civil (CODECs). As ações feitas em parceria visam sempre a atingir os municípios em estado de calmidade pública ou situação de emergência por estiagens e/ou inundações.

      No caso de inundações, há uma relação muito estreita entre as ações da ANA e da Defesa Civil. Uma complementa a outra. A Defesa Civil tem por objetivo reduzir riscos de desastres, preservando o bem-estar social e restabelecê-lo,em casos de danos e prejuízos que envolvam vidas humanas, perdas materiais, físicas e morais. Empreende ações preventivas, de socorro em emergências, de assistência às vítimas e de recuperação dos danos. Já a ANA está voltada para ações que permitam planejar, com antecedência, a melhor forma de controlar as águas de uma cheia e os deslizamentos provocados por uma forte chuva. O fim é o mesmo:garantir segurança e bem-estar à sociedade quanto à ocorrência de inundações, mas os meios e os focos de ação são diferentes.

      No caso de estiagens, a ANA tem acompanhado sistematicamente os municípios assolados pela seca (Inserir link para baixar o Mapa dos Municípios em Situação de Emergência com Portaria Federal em Dezembro/2002), para, com isso, direcionar melhor seu planejamento de convivência com a seca e sustentabilidade hídrica do Semi-Árido brasileiro.

Programa de Indução à Gestão da Água no Meio Urbano e Controle de Inundações

      O Programa de Indução à Gestão da Água no Meio Urbano e Controle de Inundações faz parte das estratégias da ANA para implementar o gerenciamento de recursos hídricos no Brasil. Ele apresenta dois objetivos fundamentais:

  • induzir municípios a adotarem uma visão integrada da drenagem urbana e do controle de inundações;
  • incentivar as "boas práticas" no gerenciamento do meio urbano, com a implantação de medidas não-estruturais, ou seja, medidas de planejamento, e não de simples construção de obras de engenharia, tais como pontes, canais e barragens.

      A aplicação do Programa ajudará Municípios a realizar um planejamento no meio urbano, desde a coleta de lixo, que é hoje uma das principais razões de entupimento das galerias e canais de drenagem, até a delimitação de áreas ao longo dos rios para uso público, como parques recreativos e esportivos, evitando ocupação desordenada das margens e permitindo que os rios possam extravasar por ocasião das chuvas intensas, como é natural que ocorra, e até mesmo incentivos para a relocação de pessoas situadas nas áreas de risco. Iniciativas de natureza legal, que envolvam mudanças na legislação dos municípios, também fazem parte do planejamento desejado.

      Entretanto, estas iniciativas tomam tempo para frutificar. Além disto, não é possível, dentro dos limites da economicidade, livrar as cidades definitivamente das inundações. Mas, é possível fazer com que elas ocorram raramente, digamos, 3 ou 4 vezes em cada século, e não, 3 ou 4 vezes em cada ano.

      No dia 09 de setembro de 2002 foi publicado no Jornal "O GLOBO" e no Jornal Development Business do Banco Mundial a Carta de Manifestação de Interesse. O objetivo é fazer a montagem da estrutura do Programa, que deverá conter definição das diretrizes gerais, das linhas de apoio e dos mecanismos e recursos financeiros para sua implantação. As manifestações de interesse foram entregues na ANA até o dia 09 de outubro de 2002 e estão em processo de análise no presente momento.

Programa Associado de Controle de Inundações

      O Programa Associado de Controle de Enchentes - América do Sul é desenvolvido pela Organização Meteorológica Mundial - OMM, em parceria com a Global Water Partnership - GWP. Trata-se de um projeto financiado pelo governo japonês, como estudo preparatório para a III Conferência Mundial da Água, a ser realizada no Japão, em março de 2003. Foram realizados três Workshops.

       Na América do Sul, este programa está sendo coordenado pelo Prof. Carlos E. M. Tucci, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas - IPH, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, e conta com a participação de oito países. No âmbito deste programa, em 2002, Dentro deste programa, em 2002, foram desenvolvidos: (a) livro sobre inundações da América do Sul; (b) 3 workshops sobre inundações para tomadores de decisão.

       No Projeto de Workshops para Tomadores de Decisão cinco países participaram: Argentina, Brasil, Chile, Colombia e Peru. Cada país escolheu um estudo piloto para desenvolver os workshops. No Brasil foi escolhido o rio Iguaçu, na vizinhança das cidades de União da Vitória(PR) e Porto União(SC). As conclusões alcançadas para o estudo de União da Vitória e Porto União podem ser vistas aqui.

      A ANA, através da Superintendência de Usos Múltiplos, participou desses dois trabalhos. Elaborou um capítulo para o livro de inundações e esteve presente nos três seminários realizados no Brasil.