Jornal O Estado de S. Paulo: "Kelman, acima
de simpatias políticas"
O Estado de S.Paulo
05/01/2005
Economia
Kelman, acima de simpatias políticas
Presidente da ANA desde o governo FHC, ele assume a direção
da Aneel
Gerusa Marques
BRASÍLIA
- A posse do novo diretor-geral da Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, prevista para o dia 14,
marcará um fato inusitado na administração
federal. Presidente da Agência Nacional de Águas
(ANA) desde dezembro de 2000, ele não só sobreviveu
à troca de governos como foi escolhido para comandar um
órgão mais forte dentro do governo.
Mestre em
Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio e doutor em
Hidrologia e Recursos Hídricos pela Colorado State University,
Kelman é considerado uma das maiores autoridades em hidrologia
do País. Ele chegou ao governo com o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso e atuará na política do setor elétrico
do governo Luiz Inácio Lula da Silva, que é bem
diferente da de FHC.
O fato de
ter ocupado a presidência da ANA no governo FHC e ser indicado
agora (por sugestão da ministra de Minas e Energia, Dilma
Rousseff)pelo governo Lula para dirigir a Aneel mostra, segundo
Kelman, um "nítido amadurecimento" da administração
pública. "Quadros técnicos são ocupados
por técnicos, sem simpatias políticas." O principal
desafio da Aneel, diz ele, será criar um ambiente favorável
ao investimento em infra-estrutura, o que depende fundamentalmente
de estabilidade de regras. Segundo ele, medidas nesse sentido
já vêm sendo tomadas e é preciso dar continuidade
a elas.
Kelman ressaltou
a importância de se pensar no setor elétrico como
um todo. Ele assume a Aneel com a premissa de que não há
autonomia absoluta das agências reguladoras, pois estão
vinculadas aos ministérios e devem prestar contas ao Congresso
e ao Tribunal de Contas da União. Mas defende a independência
decisória desses órgãos, com autonomia para
resolver questões administrativas e transparência
em seus atos. Ele informou que manterá as reuniões
da diretoria abertas ao público.