:: Drogas anti-Aids enviadas à África são revendidas na Europa Folha Online, 3 de outubro de 2002
Por: Reuters, em Londres
Drogas anti-Aids fornecidas à África a preços reduzidos foram revendidas ilegalmente na Europa. A operação ameaça acabar com o sistema de preços preferenciais de medicamentos a países pobres, informaram hoje o laboratório GlaxoSmithKline e o governo holandês.
Autoridades da Holanda recolheram medicamentos Combivir e Epivir, da GlaxoSmithKline (GSK), após descobrir o esquema de revenda de mais de 35 mil caixas das drogas, com um valor de mercado de cerca de Y+US$ 14,8 milhões na Holanda e Alemanha.
"Apesar de provavelmente existir apenas uma pequena quantidade ainda em circulação, a fiscalização acredita que é necessário recolher todos os medicamentos distribuídos ilegalmente, para eliminar qualquer risco à saúde", disse o governo holandês.
Os medicamentos foram importados em julho de 2001 por um importador holandês que não foi identificado, que os revendeu para atacadistas e farmacêuticos. A fiscalização informou que vai processar o importador.
O laboratório GSK disse que lamenta o incidente. "Estamos apavorados e tristes em ver isso. As vítimas desse comércio ilegal são os pacientes com HIV da África", afirmou o porta-voz do laboratório, Alan Chandler.
"Ainda temos o compromisso de disponibilizar esses tipos de remédios a preços preferenciais, mas é claro que vamos revisar diversas questões em relação à forma como os produtos são distribuídos e como as caixas são diferenciadas."
Segundo Chandler, esse foi o primeiro caso conhecido de drogas anti-Aids sendo exportadas da África, desde que os grandes laboratórios lançaram um esquema de fornecimento de anti-retrovirais para os países em desenvolvimento com descontos de até 90%, há dois anos.
O incidente destaca a dificuldade de impedir que drogas voltem aos lucrativos mercados ocidentais, um comércio ilegal que, segundo os laboratórios, pode colocar em risco a pesquisa futura de novos medicamentos.
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