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:: Projeto de formação de Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre ganha publicação
Grupo R+10 Brasil, 18 de setembro de 2002

Por: Cristiane Fontes, Instituto Socioambiental

Trabalho foi iniciado em 1996 com recursos do Suprograma Projetos Demonstrativos (PDA) do Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicais (PPG-7) para formar 15 agentes em três Terras Indígenas (TIs). Hoje, envolve 85 índios de 15 TIs, que buscam o reconhecimento oficial da profissão.

Parte da Série Experiência PDA, a publicação Implantação de Tecnologias de Manejo Agroflorestal em Terras Indígenas do Acre detalha a história, a estrutura e as perspectivas do projeto de formação dos agentes agroflorestais indígenas (AAFIs). Foi lançada na noite de encerramento do seminárioAnálise da implementação de ações para o uso, conservação e repartição de benefícios da biodiversidade na Região Juruá/Purus/Acre, na última quinta-feira (12/09) em Rio Branco (AC), com previsão de lançamento em Brasília em outubro.

Iniciado em 1996 com recursos do Suprograma Projetos Demonstrativos (PDA) do Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicais (PPG-7) para formar 15 agentes agroflorestais de três Terras Indígenas (TIs), o trabalho é um desdobramento das atividades de educação e saúde indígena realizadas desde a década de 80 pela Comissão Pró-Índio-Acre, ONG responsável pelo suporte técnico do projeto.

Em 1999, foi renovado até 2003 e passou a ser apoiado também por diversas organizações indígenas, instituições públicas e privadas brasileiras e internacionais, entre as quais a Secretaria de Extensão e Assistência Técnica Rural do Governo do Acre. Desde 2001, o Governo do Acre é responsável pela formação de 19 AAFIs e se comprometeu a assegurar recursos orcamentários para os agentes e a buscar mecanismos para remunerá-los.

Agentes agroflorestais em ação
Aliando conhecimento tradicional à conservação de recursos naturais, 85 agentes agroflorestais indígenas, das etnias Asheninka, Manchineri, Jaminawá, Kaxinawá, Katukina, Shawadawá (Arara), Apurinã e Yawanawá, são voltados atualmente à gestão ambiental de 15 Terras Indígenas no Acre.

A formação ocorre por meio de processos participativos e educacionais, que incluem cursos, assessorias técnicas, oficinas itinerantes e intercâmbios, para a identificação, sistematização, valorização e uso de saberes tradicionais e tecnologias relativas ao uso sustentável de seus territórios.

Na prática, a gestão ambiental envolve a elaboração do plano de uso das TIs, a adoção de sistemas agroflorestais, o manejo da caça, da pesca e das espécies florestais mais utilizadas, a criação de viveiros e hortas, a recuperação de áreas degradadas e roças abondonadas, entre outros. Também estão incluídas atividades de vigilância e fiscalização e disseminação de informações e conscientização da comunidade.

Para registrar, planejar e avaliar suas atividades, os AAFIs adotoram um diário de trabalho, onde anotam as tarefas cotidianas. Publicações didáticas elaboradas e editadas pelos AAFIs, como Ecologia da Floresta, Chegou o Tempo de Plantar as Frutas e Vamos Criar Peixes também dão suporte ao projeto, além de representarem a construção de um acervo cultural e ecológico.

Inspiração para povos indígenas de outros partes do país para o manejo sustentável de seus territórios, os AFFIs buscam no momento o reconhecimento oficial da profissão.

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