:: John Turner Secretário-assistente de Estado para assuntos de Meio Ambiente dos EUA
Por: Deborah Berlinck para O Globo, 5 de setembro de 2002
‘Ninguém fez mais que os EUA’
O governo brasileiro ficou desapontado com a oposição dos Estados Unidos à proposta energética. O que o seu governo não gostou na proposta?
John Turner: A proposta energética provocou muitas divisões, especialmente no G-77 (o grupo dos países em desenvolvimento). O Brasil tem sido um líder nessa questão, mas outros países em desenvolvimento não podem cumprir essa meta, não têm os recursos.
O problema foi então a oposição dos países em desenvolvimento?
Turner: Em vez de esta conferência tentar ditar um tipo de energia, a renovável, o que fizemos foi nos concentrar nas duas milhões de pessoas no mundo que não têm acesso à energia. Nos comprometemos a ajudar essas pessoas a obter energia. Ninguém fez mais do que os Estados Unidos para ajudar outros países nesse sentido. O que temos que fazer agora é olhar em termos de desempenho. O objetivo que se tinha antes (o rascunho anterior, com metas para a ampliação do uso de energia renovável) apenas ditava uma forma de energia.
O texto final, sem metas, é melhor na sua opinião?
Turner: Optamos por uma abordagem mais abrangente que responde às necessidades de todos os países. Não transformamos as metas cumpridas por alguns poucos países em metas globais. Então nós fizemos bem, porque reconhecemos as necessidades de todos os países do mundo.
Mas o Brasil alega que a maioria dos países apoiava a iniciativa de energia renovável.
Turner: Não houve votação. Todos concordaram com a redação final do texto da energia