:: Violência mata 1,6 milhão de pessoas no mundo por ano, diz OMS Folha Online, 03 de outubro de 2002
Por: Reuters
A violência mata por ano 1,6 milhão de pessoas em todo o mundo a cada ano, revelou hoje o primeiro relatório feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o tema.
Seja por guerra, homicídio, suicídio e abuso sexual ou doméstico, a violência atinge todos os níveis sociais e custa bilhões de dólares por ano em tratamento de saúde, segurança e perda de produtividade.
O documento demorou três anos para ser feito e envolveu 160 especialistas de todo o mundo. O resultado é a descrição mais abrangente já feita sobre a crueldade infligida por seres humanos a outros seres humanos e a si mesmos. "Desejamos colocar a violência na agenda da saúde pública do mundo", afirmou Krug.
"O elemento mais chocante é a grande dimensão do problema, independentemente do país, região ou religião. A violência é excessivamente alta em todos os países", disse Etienne Krug, autor do primeiro relatório da OMS sobre o assunto.
Segundo a diretora-geral da OMS, Gro Harlem Brundtland, "o relatório nos força a ultrapassar nossas noções sobre o que é aceitável e confortável, a desafiar a noção que atos de violência são questões de privacidade familiar, escolha individual ou fatos inevitáveis da vida".
"A violência é um problema complexo relacionado a padrões de pensamento e comportamento que são moldados por forças que podem passar fronteiras nacionais", completou Brundtland.
O século 20 foi um dos mais violentos da história. Cerca de 191 milhões de pessoas, metade delas civis, perderam a vida em conflitos armados.
Segundo o relatório, das 1,6 milhão de mortes violentas anuais, metade é resultado de suicídios, 30%, de homicídios e 20% relacionadas com conflitos armados.
Cerca de 815 mil pessoas suicidaram-se em 2000. Entre elas, a incidência em maiores de 75 anos é três vezes maior que em jovens entre 15 e 24 anos. O Leste Europeu apresenta as maiores taxas de suicídio. A América Latina e alguns países da Ásia, as menores.
No mesmo ano, cerca de 520 mil pessoas morreram como consequência de violência doméstica ou institucional, incluindo aí violência sexual e abuso de crianças e idosos.
Krug se disse chocado com a magnitude da violência contra mulheres em todo o mundo. Em alguns países, até 70% das mulheres haviam sido agredidas pelo marido e 30% delas relataram que sua primeira experiência sexual foi forçada.
O relatório recomenda que a prevenção deve ser feita desde cedo, com programas sociais voltados a crianças e adolescentes, treinamento de pais e projetos de apoio às vítimas.
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