:: Litoral da Ásia é o mais poluído do mundo, diz ONU Folha Online, 03 de outubro de 2002
Por: Alex Kirby
Milhões sofrem com a falta de saneamento básico
Os litorais do sul da Ásia sofrem mais com o despejo de água de esgoto não-tratada que qualquer outro lugar do mundo, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).
As costas do leste asiático e ao noroeste do Pacífico também sofrem um risco grande, ainda que menor do que o enfrentado pelo sul asiático.
As praias do oeste e do centro africano também estão seriamente poluídas. O esgoto ameaça a vida de moradores, animais marítimos e habitats inteiros da região.
O relatório foi preparado pelo Programa de Meio Ambiente da ONU como continuidade aos trabalhos da Rio +10, realizada em setembro, na África do Sul. Um dos resultados do encontro foi a decisão de diminuir pela metade, até 2015, o número de pessoas sem acesso à água potável.
Grande escala
Quase 40% da população mundial vive em 60 quilômetros de costa. No sul da Ásia, segundo da Unep (Programa de Meio Ambiente), 825 milhões de pessoas não têm água potável, o que pode provocar doenças e até levar à morte.
O número chega a 515 milhões no leste asiático e 414 milhões no noroeste do Pacífico.O centro e oeste africano têm 107 milhões de pessoas sofrendo o mesmo risco.
O estudo da ONU também revela que tem havido um progresso impressionante na tentativa de proporcionar saneamento em muitas das piores áreas afetadas.
No leste asiático, entre 1990 e 2000, 220 milhões de pessoas foram beneficiadas pelas melhorias alcançadas no setor. Mas no mesmo período, a população cresceu em 222 milhões, reduzindo o impacto dos ganhos obtidos.
No leste da África, o número de pessoas sem acesso a saneamento básico na verdade dobrou na última década, chegando a 19 milhões.
Soluções simples
O diretor da Unep, Klaus Toepfer, diz que a falta de saneamento básico é hoje "uma das piores ameaças à saúde humana".
"Estima-se que as doenças e mortes relacionadas à poluição das águas costeiras custam hoje cerca de US$ 16 milhões ao ano à economia mundial", afirmou Toepfer.
"Uma forma de enfrentar o problema é conseguir com que as partes fundamentais ao processo estabeleçam metas realísticas, mas ambiciosas, em relação ao lançamento de esgoto, da mesma maneira em que foram estabelecidos objetivos para diminuir a emissão de gases tóxicos de centrais elétricas e fábricas", completou.
Segundo o relatório da Unep, em alguns casos, é necessária a implantação de sistemas de saneamento como os existentes na Europa e nos Estados Unidos.
Esses sistemas incluem métodos naturais de tratamento da água, como o uso de lagos para filtrar a água.
Mais caro
Cees Van de Guchte, que trabalha para o programa de de ação para proteger o meio ambiente marítimo de atividades realizadas no solo, acredita que a adoção desses sistemas "poderia trazer um benefício duplo ao meio ambiente".
"Muitos dos mangues, que servem como habitat importante para peixes e pássaros selvagens, estão sendo destruídos para o desenvolvimento da agricultura e outras atividades", disse Guchte.
"Se mais pessoas tiverem conhecimento do potencial que as formas naturais de saneamento têm, mais desses sistemas seriam conservados por razões econômicas e de saúde, assim como pela importância deles para a vida selvagem", afirmou.
Gutch disse ainda que alguns especialistas estimam que os gastos para proporcionar água limpa e saneamento adequado a toda a população mundial chegará, em 2025, a US$180 bilhões ao ano, duas ou três vezes mais do que os investimentos feitos altualmente no setor.
"Pode parecer muito, mas os benefícios em termos de redução das doenças e melhoras ambientais nas áreas costeiras também serão grandes", completou.
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