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:: Aumenta pobreza entre crianças argentinas com menos de 12 anos
O Estado de S. Paulo, 04 de outubro de 2002

Organismo governamental calcula que essa porcentagem já chega a 72,3%

BUENOS AIRES - O Sistema de Informação, Monitoramento e Avaliação de Programas Sociais (Siempro) anunciou que 72,3% das crianças argentinas com menos de 12 anos estão abaixo do nível de pobreza, ou 4,5 milhões. Destas, 2,45 milhões são indigentes.

Segundo o Siempro, organismo do governo vinculado diretamente à presidência da República, a proporção de crianças pobres é maior ainda em alguns municípios da Grande Buenos Aires (o antigo cinturão industrial da Argentina) e as Províncias de Tucumán, Salta e Jujuy, no norte do país, onde chega a 82%. Ali, a indigência atinge 40% das crianças.

Apesar dos programas sociais implementados pelo governo do presidente Eduardo Duhalde, a pobreza infantil não foi reduzida. No ano passado, a proporção de pobres, entre adultos e crianças, era de 38%. Em meados dos anos 90, 27% eram pobres. Há 25 anos, nos anos 70, somente 6% dos argentinos eram pobres.

Como forma de contenção social para as crianças e adolescentes pobres, o governo está analisando a possibilidade de que elas recebam educação nos quartéis gratuitamente. Se o projeto do senador Alejandro Corvatta for aprovado, no total, na Província de Buenos Aires, 40 mil adolescentes seriam enviados aos quartéis.

Mas a idéia está causando polêmica. Segundo o secretário-geral do sindicato dos professores da Província de Buenos Aires, Roberto Baradel, "o projeto tenta militarizar o conflito social por meio do disciplinamento dos jovens, sem resolver as causas do problema de marginalidade e exclusão que sofrem".

Leite - Por causa da queda drástica do poder aquisitivo dos argentinos, a economia do país está voltando ao passado. Um dos exemplos é a venda de leite sem pasteurizar no interior da Província de Buenos Aires. Este tipo de leite cuts apenas 0,50 peso (US$ 0,13) e o pasteurizado, 1,20 peso (US$ 0,33).

A venda do leite sem pasteurizar foi proibida em todo o país em 1963. Mas, com o atual cenário, no qual centenas de milhares de famílias argentinas estão deixando de consumir leite, esse impedimento está sendo revisto.

É o caso da cidade de Olavarría, uma das principais da Província de Buenos Aires, com 100 mil habitantes. Ali, o prefeito Helios Eseverri autorizou a venda. A medida, que trouxe às ruas a velha carroça do leiteiro, está sendo analisada por outros prefeitos.

Segundo Luis Secco, presidente da Câmara da Indústria do Leite, mesmo levando em conta o caráter de emergência econômica da medida, consumir leite sem pasteurizar é um risco para a saúde. Segundo os produtores, a venda deste tipo de leite é um negócio circunstancial, e não veio para ficar.

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