:: Raio-X ambiental do Brasil aponta problemas Folha de S. Paulo, 4 de outubro de 2002
Por: Leila Suwwan Folha de S. Paulo, 04 de outubro de 2002
O documento, que será distribuído para os candidatos à Presidência e ao Legislativo, aponta uma situação "crítica": os esforços dos últimos anos não reverteram o ritmo de destruição do ambiente e a sustentabilidade ainda se resume a esforços pontuais.
"Não podemos falar hoje que o Brasil está no caminho da sustentabilidade", disse João Câmara, coordenador do GEO no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). "Os esforços recentes não foram suficientes para reverter o ritmo de destruição que vem sendo verificado por todos os institutos de controle."
Para o ministro José Carlos Carvalho (Meio Ambiente), o documento, que já havia sido apresentado na Rio +10, é uma "análise crua" da situação brasileira: "Não há nenhuma preocupação em esconder nada. Não há nenhum receio de crítica àquilo que representa a realidade do Brasil".
Essa realidade inclui desde a falta de resultados da política de ZEE (Zoneamento Ecológico Econômico) na Amazônia à escassez de recursos para saneamento básico.
Para o presidente do Ibama, Rômulo Mello, o país já sabe como melhorar o saneamento, mas as medidas tomadas "não são proporcionais ao problema".
Quanto ao zoneamento, especificamente com relação ao plantio de soja na região amazônica, Câmara avalia que ainda não deixou de ser "uma idéia de trabalho". "Não há um órgão que faça uma barreira [de regras ambientais] entre as terras e a demanda do mercado", afirmou, citando pressões do consumo de soja e do mercado de madeira.
Elaborado a partir da metodologia do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Ambiente), o GEO Brasil também propõe políticas de longo prazo para os diferentes setores: solo, subsolo, recursos hídricos, florestas e atmosfera, entre outros.
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