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Desenvolvimento
Sustentável:
é aquele que atende às necessidades
das gerações atuais sem comprometer a capacidade de as futuras gerações terem
suas próprias necessidades atendidas.
Essa definição, retirada do Relatório Nosso
Futuro Comum, é a mais aceita – porém, é bastante ampla e
tudo depende de como é interpretada. Pode ser usada para justificar quase qualquer
atividade, desde que ela reserve recursos e meios para as gerações futuras.
Mas num sentido mais rigoroso, significa que todas as atividades realizadas
atualmente devem sofrer uma avaliação cuidadosa para determinar seus impactos
ambientais. Se isso fosse feito, a maioria delas não passaria num simples teste
de sustentabilidade a longo prazo.
Agenda
21: Um dos principais resultados da Rio-92, a Agenda 21 é o plano de ação da Organização das Nações Unidas para o início do século 21. Em 1992, os países membros presentes ao Rio de Janeiro comprometeram-se a pautar suas políticas econômicas, sociais e ambientais com base no conceito do desenvolvimento sustentável, segundo o qual se procura atender às necessidades das gerações presentes sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras também verem atendidas as suas. Para isso, define em 40 capítulos 2.500 recomendações e responsabilidades a curto, médio e longo prazo. Da mesma forma que os países se reuniram e fizeram a Agenda 21 Global, países, estados, cidades, bairros, clubes, escolas também podem elaborar suas próprias Agendas 21.
Clique aqui
para saber mais sobre a Agenda 21 e como implementa-la na sua comunidade.
Clique aqui para ler a Agenda 21 na íntegra, e aqui para conhecer a Agenda 21 Brasileira.
Declaração
do Rio: Outro produto da Rio-92, a Declaração do Rio reafirma princípios aprovados em Estocolmo-72 e busca estabelecer uma parceria global mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados, respeitando os interesses de cada um e protegendo a integridade global do meio ambiente. A Declaração reforça orientações importantes de outras negociações internacionais na área ambiental e estabelece uma forte conexão entre a pobreza mundial e a degradação do planeta. Contém, entre outros, o importante princípio das “responsabilidades comuns, mas diferenciadas” dos Estados, segundo o qual todos os países compartilham os mesmos objetivos e metas para reduzir a degradação ambienatl, mas apresentam diferentes capacidades e recursos para alcançá-los. Esse princípio foi reafirmado em Joanesburgo, apesar de ter sido fortemente questionado no processo preparatório para a Cúpula de Joanesburgo.
Clique aqui para ler a Declaração do Rio.
Protocolo
de Kyoto: Acordo internacional aprovado em 1997 na cidade de Kyoto, no Japão, que estabelece que os países desenvolvidos devem reduzir a emissão de gases causadores do efeito
estufa em pelo menos 5,2% em relação aos níveis apresentados em 1990. Essa meta global deverá ser atingida no período de 2008 a 2012 e implica, entre outras coisas, que os países devem buscar formas alternativas de energia, uma vez que combustíveis fósseis, como o petróleo, são os principais causadores do efeito estufa. Os países em desenvolvimento, como o Brasil, não têm compromissos de redução na emissão de gases. O governo brasileiro ratificou o protocolo em julho de 2002. O Protocolo é um desdobramento da Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas.
Os EUA, país que sozinho responde por quase 25% das emissões de gases-estufa,
abandonaram o protocolo no ano passado por decisão do presidente George W. Bush.
Até hoje o protocolo ainda não entrou em vigor, já que para
isso é preciso que seja aprovado como lei por um número de países que representem
55% das emissões de gases do mundo desenvolvido. Até o momento, a adesão de
países industrializados representa apenas 38,5% da emissão de gases.
Se
quiser saber mais sobre o problema energético e sobre formas alternativas de
energia, clique aqui.
Se quiser ver o Protocolo de Kyoto na íntegra, clique aqui
Efeito
Estufa: Aquecimento da atmosfera terrestre
provocado pela emissão de gases. O principal vilão causador do efeito estufa
é o gás carbônico, que é liberado pela queima de petróleo em automóveis e indústrias.
Seu acúmulo provoca na terra um efeito parecido com o de uma estufa: a radiação
solar é capaz de penetrar no planeta, mas seu calor fica retido, o que vai,
aos poucos, aumentando a temperatura. Este aquecimento foi apontado por cientistas
como o responsável por diversas alterações no clima, entre elas o derretimento
de geleiras, o aumento do número de enchentes em alguns pontos do planeta e
o de secas em outros.
Se quiser saber mais sobre o aquecimento da terra, clique aqui.
Convenção da biodiversidade: Acordo internacional
aprovado no Rio de Janeiro, em 1992. Mostra em linhas gerais como conservar
a diversidade biológica em cada país de maneira sustentável. Um resultado
da convenção foi o
Protocolo de Biosegurança
, que permite que países deixem
de importar produtos que contenham organismos geneticamente modificados com
base no princípio da precaução.
Veja aqui
o texto integral da Convenção.
Convenção
sobre Mudança Climática:
Estabelecida na Rio-92, a convenção determina estratégias de combate ao efeito estufa e à destruição da camada de ozônio. Esta Convenção deu origem ao Protocolo de Kyoto, compromisso global de redução das emissões de gases que causam o efeito estufa. A convenção deu origem ao Protocolo de Kyoto.
Clique aqui para ler o documento.
Relatório
Nosso Futuro Comum, ou Relatório Brundtland:
Produzido em 1987 pela Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento,
teve como uma de suas principais recomendações a realização de uma conferência
mundial para direcionar os assuntos ambientais – o que culminou com a Rio-92.
Nesse relatório foi cunhada a clássica definição de desenvolvimento sustentável:
o desenvolvimento que atende às necessidades das gerações atuais sem comprometer
a capacidade de as futuras gerações terem suas próprias necessidades atendidas.
O documento ficou conhecido pelo nome de Relatório Brundtland, já que a Comissão
era presidida por Gro Harlem Brundtland, então primeira-ministra da Noruega.
Buraco
na Camada de Ozônio: A atmosfera terrestre possui uma espécie de escudo protetor contra algumas radiações solares nocivas aos seres humanos – a camada de ozônio. No entanto, o uso de substâncias químicas produzidas em alguns processos industriais, mais notavelmente as conhecidas como CFCs, deteriorou esse escudo, fazendo com que ele, em algumas partes, ficasse mais rarefeito e, portanto, menos protetor. Como consequência, verificou-se um aumento na incidência de radiação ultravioleta que apresenta sérios impactos potenciais sobre a saúde humana e animal, incluindo câncer de pele, catarata, danos aos sistemas imunológicos humanos, redução da produtividade de culturas agrícolas.
O primeiro acordo internacional para banir os CFCs foi assinado em
1987. Depois disso, os CFCs foram gradualmente substituídos por substâncias
como o gás HCFC, que é inofensivo a camada de ozônio mas, no entanto, não é
tão eficiente quanto seus antecessores.
Diversos
estudos recentes indicam que o risco está diminuindo. O fechamento do tal buraco,
porém, pode demorar a chegar, já que ainda há muito CFC na atmosfera e seu efeito
dura cerca de 50 anos. Portanto, só a partir de 2040 o abandono dos CFCs deve
começar a produzir resultado.
Se
quiser saber mais sobre o buraco na camada de ozônio, clique aqui.
Iniciativa
Tipo 2: Projeto de ajuda aos países em desenvolvimento apresentado na Cúpula de Joanesburgo por vários "atores", incluindo governos, organizações internacionais, empresas privadas, universidades e ONGs.
São assim chamadas em oposição às iniciativas de Tipo I, os compromissos oficiais assumidos pelos governos. A idéia central das iniciativas de Tipo II é o conceito de parceria, em que a sociedade civil se une aos governos para garantir a implementação da Agenda 21. Uma preocupação durante a Rio+10 foi de que essas iniciativas, de caráter voluntário, pudessem ser consideradas alternativas à irrenunciável responsabilidades dos governos na consecução dos objetivos do desenvolvimento sustentável. No entanto, essa preocupação não se confirmou, já que, apesar de muitas ações desse gênero terem sido anunciadas durante a conferência, elas não tiveram o peso que se imaginava anteriormente.
Energia
Um problemão
Por Flávio Dieguez
Para
se ter uma idéia clara do problema que a humanidade enfrenta hoje em relação
às suas necessidades energéticas, basta ver que a população mundial cresceu
3,5 vezes nos últimos 150 anos, enquanto o consumo de energia cresceu 12 vezes
no mesmo período.
A
disparidade é preocupante, já que tudo indica que vamos precisar de uma quantidade
cada vez maior de força para mover máquinas, eletrodomésticos, transportes e
assim por diante. Mas existe uma razão ainda mais grave: o progresso, por enquanto,
alcançou apenas uma parte dos países – os mais ricos. Ou seja, daqui em diante,
será preciso satisfazer a demanda dos mais pobres, que são também mais populosos.
A estatística diz que há atualmente dois bilhões de pessoas que ainda não têm
acesso pleno aos fios de eletricidade, ao gás de fogão e a outras comodidades
em pleno século XXI.
Isso
coloca um desafio tão claro quanto difícil de superar: como responder a essa
demanda por energia? A resposta óbvia seria aumentar a produção, mas essa solução
é complicada, já que as fontes tradicionais de energia não são mais tão abundantes
quanto eram há cem anos. E, mesmo que fossem, não é uma boa idéia recorrer a
elas por que são extremamente agressivas ao meio ambiente. A queima de petróleo
por automóveis e fábricas, por exemplo, é a principal responsável pelo atual
aquecimento do planeta. Até 1970, o petróleo cobriu 60% das necessidades da
civilização e, ainda hoje, responde por 40% do total mundial (veja o quadro).
Foi uma mudança positiva, mas pouco satisfatória: seu substituto, o gás natural,
também esquenta a atmosfera, ainda que em menor escala. Em resumo: não se encontrou,
até agora, uma fonte alternativa de energia, capaz de resolver o desafio mencionado
acima.
As
fontes alternativas de energia
Nos
últimos anos vem se consolidando uma idéia-mestra, segundo a qual a melhor saída
é não confiar numa única fonte, mas combinar diversas alternativas, dependendo
das condições de cada região. Mas também seria preciso mudar hábitos, buscando
minimizar o consumo e evitar toda forma de desperdício.
O
emprego de alta tecnologia ajudaria muito a concretizar esses planos. Um exemplo
é a troca das velhas lâmpadas incandescentes, nas quais quase 99% da energia
consumida vira calor e só 1% vira realmente luz. Já existem lâmpadas trinta
vezes mais eficientes, e esse desempenho pode crescer muito mais.
Este
é só um exemplo, mas serve para mostrar as muitas possibilidades existentes.
Basta ver que algo parecido está acontecendo com os moinhos de vento em muitas
áreas do planeta. Eles agora são máquinas sofisticadas, que podem transformar
as brisas em fontes abundantes, limpas e eficazes de energia – a chamada energia
eólica. Mas esse tipo de fonte de energia ainda é escassa e gera uma força quase
insignificante, comparada à de seus concorrentes.
Outro
produto do desenvolvimento científico recente são os geradores impulsionados
a hidrogênio, que é uma substância barata e ecologicamente amigável. Poderia
alimentar boa parte dos 60 milhões de carros que a indústria pretende colocar
nas ruas até 2010.
Há
pelo menos duas outras fontes não-convencionais que podem se tornar economicamente
viáveis nas próximas décadas: a geotérmica e a das marés. A primeira aproveita
o calor que vem do centro da Terra, a segunda, o vai-e-vem das marés.
Energia
no Brasil
No
Brasil, temos uma situação privilegiada porque aproveitamos a força dos rios
-- também chamada hidráulica -- que não polui e apresenta problemas ecológicos
relativamente reduzidos. A produção de eletricidade, aqui, ainda pode aumentar
em pelo menos 50% sem causar grandes problemas ambientais—isso se a ampliação
do sistema for feita de maneira racional e bem pensada.
°
Petróleo: Sua queima em indústrias e automóveis
é um dos grandes causadores do aquecimento da terra. Em 1970, o
petróleo supria 60% das necessidades globais. Hoje, esse número
caiu para 40%.
° Energia dos ventos, ou eólica: os moinhos
saíram praticamente do zero, há apenas 20 anos, e detêm,
agora, 1,5% do consumo mundial de energia. Não é pouco,
levando em conta que sua demanda vem crescendo à taxa de 30% ao
ano. Nesse ritmo, em uma década poderá ser responsável
por 15% do consumo global de energia.
° Energia solar: Ainda representa uma fração
minúscula do consumo mundial -- menos de 0,5%. |
CLIMA
Por Flávio Dieguez
Este
ano, chegou-se a um consenso extremamente importante para a saúde do planeta:
a maior parte dos cientistas está agora convencida de que a temperatura média
da Terra está subindo, e não em decorrência de algum processo natural. A culpa
cabe mesmo à liberação de gases por diversas atividades humanas — como o CO2
e o metano, que têm a propriedade de reter calor na atmosfera.
Esse
processo é conhecido há mais de 100 anos e atualmente é chamado de efeito estufa.
Ele leva ao acúmulo de calor da mesma maneira que as estufas de vidro, usadas
no cultivo de certas plantas.
O
CO2, ou gás carbônico, é a substância de maior influência sobre o
efeito estufa. É lançado no ar principalmente pelas indústrias e pelos carros,
assim como pela destruição das florestas, sobretudo pelas queimadas. O metano,
por sua vez, é produzido entre outras coisas pelo intestino de bovinos e plantações
de arroz.
Quando
tudo começou
O
acúmulo gradual dessas substâncias na atmosfera começou com a revolução industrial,
em meados do século XIX, mas cresceu muito ao longo do século XX. O resultado
é que a temperatura média da Terra subiu gradualmente desde 1861, quando ela
começou a ser medida com precisão pelos cientistas.
Em
conseqüência disso, a década de 1990 foi a mais quente dos últimos mil anos.
Se nada for feito, dizem os cientistas, o calor deve aumentar em mais 1 ou 2
graus nas próximas décadas, e algumas previsões falam em até 6 graus a mais
de calor. Mesmo se as emissões de gases pararem no nível atual, ainda haverá
um acréscimo de pelo menos 0,5 grau. Parece pouco mas, como o processo é planetário,
seu efeito pode ser pesado. Na verdade, os cientistas dizem que se a máquina
climática se desequelibrar muito, poderá demorar de 200 a 300 anos para voltar
aos trilhos. Outra avaliação exagerada, mas que ajuda a entender a situação,
é que se a quantidade de CO2 no ar subir 50% acima de seu valor natural
(veja o quadro), a Amazônia inteira poderia ser esturricada de calor.
Quais
as conseqüências?
Já
há diversas conseqüências práticas do aquecimento global: uma das mais importantes
é o derretimento das calotas polares, que, ano a ano, vêm ficando mais finas.
No ártico, as medidas indicam uma redução de 42% na espessura da camada de gelo
e a Groelândia estaria perdendo um volume de 51 quilômetros cúbicos ao ano,
ou seja, são meio milhão de litros de gelo que se transformam em água a cada
doze meses. Esse vazamento, por sua vez, eleva o nível dos oceanos, que também
se expandem pelo simples aumento de temperatura. Resultado: inundam-se as áreas
costeiras, onde estão algumas das maiores metrópoles do mundo, como Nova Iorque
ou o Rio de Janeiro (cerca de 50 milhões de pessoas vivem atualmente nessas
áreas). Os cálculos indicam que o nível do mar subiu 15 centímetros ao longo
do século 20. Como a água também fica mais quente, a vida marinha sofre. Um
sinal importante disso, é a morte dos recifes de coral, que servem de hábitat
ou local de reprodução para 65% das espécies de peixes.
Outra
conseqüência do aquecimento são as mudanças climáticas. É que o planeta não
se aquece por igual, e os efeitos podem ser confusos. Em diversas regiões do
hemisfério norte, por exemplo, os invernos estão se tornando mais úmidos, com
aumento de até 40% das chuvas, e os verões, mais secos do que o normal. Com
isso, a natureza entra em parafuso. As aves migratórias erram as datas de chegada,
as plantas crescem em épocas diferentes das habituais ou simplesmente não crescem,
com prejuízo para a agricultura, em um sem número de países. Só para se ter
uma idéia, este ano o governo irlandês chegou à conclusão de que o cultivo da
batata, a base da alimentação do país, poderá se tornar inviável economicamente,
já que a falta de chuvas essenciais à batata teria que ser compensada com investimentos
pesados em irrigação artificial.
Todos
os países poderão ter problemas desse tipo, o que representa um problema econômico
de difícil solução a curto e a médio prazo. No Brasil, por exemplo, o calor
poderia prejudicar culturas como maçãs, uvas ou trigo, importantes em estados
de clima temperado ou frio. É claro que elas poderiam se adaptar a outras condições,
mas isso demandará tempo e dinheiro. Esse raciocínio vale de maneira geral:
ao contrário do que se costuma imaginar, o calor provocado pelo efeito estufa
não precisa ser uma catástrofe incorrigível e definitiva. Mas, se não houver
um esforço grande e rápido para reduzir a emissão dos gases poluentes, pode
causar transtornos sociais profundos. E quanto mais as soluções demorarem para
acontecer, maior o estrago.
Fome
e sede à vista
Até
problemas de saúde poderão ser agravados pelo calor. Segundo uma avaliação recente
do Centro Hadley, do Serviço de Meteorologia do governo inglês, ele deixaria
cerca de 2 bilhões de pessoas sob risco acentuado de vida por falta d´água,
queda acentuada da produção agrícola, inundações freqüentes em áreas costeiras
e doenças variadas. É possível, embora não esteja certo, que a proliferação
de insetos nas áreas tropicais eleve a incidência de epidemias infecciosas.
Mas nem precisa tanto, dizem os especialistas do centro: basta o calor e a umidade
excessiva para provocar uma deterioração considerável nas condições de saúde.
Eles bloqueiam a transpiração, provocam febre e colapso físico, cujos sintomas
são fraqueza, náusea e dificuldade de trabalhar.
°
O mundo possui um estoque total de 42 trilhões de toneladas
de carbono sob diversas formas, que podem mudar de uma para outra.
° O carbono das árvores, por exemplo pode
passar para o ar, na queima de uma floresta.
° Na atmosfera, ele tem a forma de gás, o
CO2. Nas plantas, o carbono é parte da madeira. Também há
carbono no corpo dos animais.
° Nos oceanos, o CO2 do ar pode se dissolver na água,
tomar a forma de sais ou integrar a casca das ostras, por exemplo.
° Desde meados do século XIX, o homem já
lançou mais de 271 bilhões de carbono na atmosfera, o que
representa um aumento de 32 % sobre o total existente naturalmente no
ar.
° Só nas últimas três décadas,
o aumento foi de 17%.
° A taxa anual de emissão de carbono, atualmente,
é de 6,3 bilhões.
° O nível atual de CO2 é o maior dos
últimos 420.000 anos.
° A temperatura média do planeta subiu 0,6
graus Celsius, desde 1861, data das primeiras medições precisas
feitas pela ciência. |
O
Buraco na camada de ozônio
Por Flávio Dieguez
No
final da década de 1970, uma equipe de cientistas ingleses, estudando a atmosfera
sobre a Antártida, detectou doses anormalmente altas de raios ultravioleta.
A causa mais provável, embora difícil de explicar naquele momento, era que,
por algum motivo, a região estava perdendo uma camada protetora existente na
estratosfera, a mais de 30 quilômetros de altitude. Esse escudo, formado por
uma variedade pesada de oxigênio, o ozônio, normalmente bloqueia a radiação
ultravioleta emitida pelo Sol. Então, se os raios estavam passando, o ozônio
devia estar sendo destruído, lá no alto.
Essa
hipótese foi gradualmente comprovada, nos anos seguintes, e a causa da destruição
também foi encontrada. A camada protetora estava sendo esburacada pela ação
de gases industriais, conhecidos pela sigla CFCs (ou cloroflúorcarbonos).
Os
CFCs
Descobertos
há sessenta anos, nos Estados Unidos, os CFCs vinham sendo usados, entre outras
coisas, para resfriar geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. Quando os eletrodomésticos
eram abandonados no lixo, os gases escapavam, subiam atmosfera acima e reagiam
com o ozônio, transformando-o em oxigênio comum, que é transparente aos perigosos
raios solares. Muito energéticos, eles podem causar câncer nos animais e no
homem, além de matar as plantas. As partes corroídas do escudo protetor formam
o chamado buraco na camada de ozônio. Nessas regiões, a camada não é totalmente
furada, mas fica até 70% mais rarefeita.
De
lá para cá, o chamado buraco de ozônio, formado pelas partes corroídas do escudo
protetor, se expandiu muito. Sobre a Antártida, ele é um rombo com cerca de
30 milhões de quilômetros quadrados quase quatro vezes maior que o território
brasileiro. Mas ele também apareceu, em menor proporção, em outros partes do
mundo, como no Ártico, no norte da Europa e nos Estados Unidos. A ameaça nesses
países é mais grave do que na Antártida já que, embora os buracos sejam menores,
eles estão sobre regiões densamente povoadas: calcula-se que 700 milhões de
pessoas estejam sendo expostas à radiação ultravioleta.
O
primeiro acordo internacional para banir os CFCs foi assinado em 1987, como
parte do chamado Protocolo de Montreal. Depois disso, outros encontros ratificaram
e fortaleceram as suas recomendações. Os CFCs foram então gradualmente substituídos
por substâncias como o gás HCFC, que é inofensivo a camada de ozônio mas, no
entanto, não é tão eficiente quanto seus antecessores.
O
fim do rombo
Diversos
estudos recentes indicam que o risco está diminuindo. O fechamento do tal buraco,
porém, pode demorar a chegar, já que ainda há muito CFC na atmosfera e seu efeito
dura cerca de 50 anos. Portanto, só a partir de 2040 o abandono dos CFCs deve
começar a produzir resultado. Isso contando que os acordos internacionais sejam
respeitados, pois não foram assinados por todos os países.
É
comum confundir o buraco de ozônio com o efeito estufa, que produz o aquecimento
do planeta e é causado, principalmente, pelo gás carbônico emitido pela chaminés
das fábricas e pelo escapamento dos carros. São processos bem distintos, portanto.
Apesar disso, acredita-se que o calor contribui para a destruição do ozônio.
É uma possibilidade que ainda está sob investigação, mas, se for real, pode
ampliar os buracos no hemisfério norte.
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