:: Pesquisadores ganham mal, reconhece FH Jornal do Brasil, 27 de setembro de 2002
Mas presidente diz que recursos para bolsas estão aumentando
BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem, na entrega do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica, no Palácio do Itamaraty, que os salários de professores e pesquisadores das universidades federais são baixos .
- O que mais espera uma pessoa que vive na área acadêmica é reconhecimento. Já que salário não tem mesmo, espera reconhecimento! O que não é diferente do governo federal. Salário não, mas quem sabe, reconhecimento - afirmou Fernando Henrique, fazendo uma brincadeira.
Mesmo reconhecendo os salários baixos do setor, o presidente admitiu mais uma vez a intenção de voltar à vida acadêmica ao deixar o Palácio do Planalto. Sobre isso, ele afirmou que a concorrência aumentou nos últimos tempos:
- Na Alemanha, eles usam um sistema diferente do nosso. Lá eles perguntam quantas vezes a pessoa é doutor. Então, quem sabe dizer que eu sou três vezes doutor e possa me ajudar a entrar na competição.
O presidente defendeu os programas de bolsa do governo, principalmente os concedidos pelo Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o antigo CNPQ.
- Vamos conceder bolsas do CNPQ numa quantidade equivalente a tudo o que já foi feito no Brasil. Isso significa uma mudança qualitativa, porque essa quantidade vira qualidade.
Segundo o presidente, os fundos setoriais também estão fornecendo recursos para pesquisa científica.
- Quatorze fundos setoriais pesquisas já estarão funcionando até o fim do ano. Isso vai significar, com o tempo, a disponibilidade de recursos de uma magnitude correspondente, em moeda de hoje, a R$ 1 bilhão - afirmou.
Fernando Henrique lembrou, ainda, que o país é responsável por 40% da produção científica da América Latina.
- Nós estamos acelerando o passo. De tal forma que, hoje, temos uma participação na produção científica muito apreciável.
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