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:: Amazônia ganha mais proteção
Zero Hora, 30 de setembro de 2002

Por: Humberto Trezzi

A maior floresta tropical do mundo se transformou em alvo de um grandioso plano de preservação ambiental do planeta

A Amazônia se transformou este mês em alvo do maior plano de proteção de florestas já elaborado no mundo – possivelmente, o maior projeto de preservação ambiental do planeta.

Onças, ariranhas, micos-leões e outros animais em risco de desaparecimento terão novas chances de vida por meio de uma torneira de recursos aberta para a proteção ambiental.

A união de governo federal, bancos internacionais e ONGs ambientalistas fará jorrar sobre a maior floresta tropical do mundo US$ 395 milhões (R$ 1,382 bilhão) do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), em funcionamento desde setembro.

Dos 4,1 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia (que abrangem mais da metade do território brasileiro), apenas 4% estão protegidos por lei, sob a forma de reservas, parques e estações ecológicas federais. O Arpa promete triplicar a área destes santuários em 10 anos, passando a proteger 500 mil quilômetros quadrados – um pouco mais do que a área dos Estados do Rio Grande do Sul e do Paraná juntos. Ele vai abranger 17 parques, estações ecológicas e reservas extrativistas. Tudo é superlativo no Arpa. Ele é resultado direto de uma promessa feita em 1998 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, de transformar em parques e áreas protegidas pelo menos 10% da Amazônia. A meta agora foi ampliada para 12%, mediante parceria formada com uma das maiores instituições financeiras do planeta (o Banco Mundial), com uma das maiores organizações não-governamentais ambientalistas (a WWF – Fundo Mundial para a Natureza) e outros parceiros, como o banco alemão KfW (Instituto Alemão de Crédito para a Reconstrução).

Pelo projeto, esses 500 mil quilômetros quadrados de florestas se tornam propriedade da União – em tese, intocáveis. Para que sejam mesmo preservados, o Arpa vai propiciar a compra de equipamentos de fiscalização que vão de prosaicos barcos a sofisticados computadores capazes de interpretar dados enviados por satélite ou radar. De casas suspensas em árvores (para vigilância da floresta) até aparelhos de GPS (aparelho que informa a um satélite a localização geográfica de qualquer objeto ou pessoa). Será destinado também dinheiro para indenizar alguns proprietários cujas áreas foram desapropriadas pelos parques.

O Arpa já tem efeitos práticos. Resultou na criação, no mês passado, do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o maior do mundo em área de floresta tropical. Ele tem 3,9 milhões de hectares e fica no norte do Amapá. O Arpa também vai efetivar outros quatro parques nacionais, cinco reservas extrativistas, três estações ecológicas e quatro reservas biológicas que já existiam, mas não saíam do papel.

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