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:: União Européia entrou no carbono para ficar - por Dirceu Pio

Por: Gazeta Mercantil, 21 de agosto de 2002

São Paulo- Ao ingressar no mercado de carbono, a União Européia (UE) escolheu um caminho sem volta. E é isto o que torna o acordo em negociação com a Alemanha, para produção de carros a álcool no Brasil, ainda mais atraente, na visão das pessoas que acompanham de perto as reverberações do Protocolo de Quioto e o seu Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Países como Holanda e Dinamarca entraram há poucos meses no mercado de carbono e há indícios de que outros do grupo de 15 da UE pretendem seguir a mesma trajetória. Pelo MDL, uma invenção brasileira, os grandes emissores dos gases que provocam o efeito estufa poderão compensar percentuais de suas reduções com a compra de créditos de carbono em países em desenvolvimento que tenham projetos de energia limpa, como a do álcool carburante, por exemplo.

Ocorre que o Protocolo de Quioto ainda não entrou em vigor e, teoricamente, caso ele não se viabilize, os créditos adquiridos por antecipação poderiam perecer.

A informação, contudo, é que os 15 países europeus pretendem firmar entre si um outro acordo, interno, em caso de fracasso de Quioto. Eles continuariam a reduzir emissões e a comprar créditos dos países em desenvolvimento para compensar atrasos nos programas de substituição da queima de combustíveis fósseis.

José Goldenberg, secretário do meio ambiente do Estado de São Paulo, por exemplo, voltou de uma viagem recente a Europa convencido de que os países seguirão em frente nesse mercado, com Quioto ou sem Quioto.

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